ELEIÇÕES DIRETAS / ELEIÇÕES INDIRETAS

(“Paulo Sanchotene – Brasil”: II, 3)

Ando lendo por aí comentários que, haveria eleições indiretas, caso Michel Temer renunciasse, mas que, no caso de o TSE cassar a chapa Dilma-Temer, as eleições seriam diretas. Chamar essas eleições de “gerais” é absurdo porque só seria para os cargos de presidente e vice.

Essa opinião não é tão sólida quanto querem parecer que seja. Há controvérsia quanto às eleições diretas após cassação da chapa, por força do art. 81 CF/88. A decisão sobre eleições diretas ou indiretas acabaria chegando ao Supremo.

Acredito que haja unanimidade em torno das eleições diretas. A diferença está em “quando”. Há quem defenda “Diretas Já”, há quem não tenha opinião formada (eu!), e há quem só queira em outubro de 2018.

Entendo que no último grupo estejam os membros do “establishment”: a maioria dos congressistas, os ministros do TSE e do STF, membros dos escalões mais altos do executivo; a elite econômica; etc. Eles foram os responsáveis pela condução de Temer à presidência. O governo Temer é natimorto, e eles tinham noção disso. Era sabido que Temer nunca chegaria ao fim do mandato, mas era opção menos pior que a permanência da Dilma.

O “establishment” não é coxinha e nem mortadela. O “establishment” é a favor de si mesmo. Só quer restaurar a normalidade destruída pela Lava-Jato. Agarra-se na esperança de que a eleição de 2018, com Dilma e Temer fora e condenados, possa restaurar-se a legitimidade do sistema. Nesse sentido, a questão relevante quanto ao mandato de Temer sempre foi: até quando ele agüenta?

O desafio hoje é o mesmo de um ano atrás — chegar até março de 2018. Chegou lá, e não há qualquer controvérsia. A lei é clara: eleições indiretas em abril; eleições diretas em outubro. Se Temer chegar até dezembro, haveria controvérsia. No entanto, Temer terá livrado o “establishment” de tomar uma decisão difícil. Em dezembro, já fica fácil argumentar em favor das eleições indiretas.

Seja em março de 2018 ou dezembro de 2017, o plano é o mesmo: sacar Temer; tirar os direitos políticos dele e da Dilma; colocar um tampão qualquer só para esquentar a cadeira (seja em janeiro ou abril); e abrir campanha para as eleições gerais e diretas de outubro. O momento tenso é agora, entre maio e novembro. Estes próximos seis meses serão eletrizantes!

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Publicado originalmente em: https://www.facebook.com/sancho.brasil/posts/421007758282101