Que Amélia, que nada! O mundo está cheio de mulher de verdade…

Hoje curti no perfil de uma amiga do Facebook a seguinte frase: sinto mais do que demonstro; sei mais do que aparento; amo mais do que devia; quero mais do que posso.

Como não tinha autoria e me identifiquei de cara, fui procurar sua origem e descobri que se tratava de um fragmento de texto de Caio Fernando Abreu, de quem sou fã incondicional, antes de seus textos trafegarem pelo universo on line, sem filtro e sem contexto.

Confesso que, inicialmente, sei lá eu porque, associei a frase a uma alma feminina e é exatamente por isso que comecei esse texto com ela, pois quero falar um pouco sobre nós, “as meninas”.

Percebo que trabalhamos cada dia mais e quando chegamos em casa, ainda somos responsáveis pelo planejamento doméstico. Isso mesmo! Mesmo que tenhamos empregados, o gerenciamento do lar é de responsabilidade deste ser que alguns ainda gostam de chamar de frágeis.

Exercemos múltiplos papéis e ainda nos cobram o corpo perfeito, o cabelo hidratado, unhas impecáveis, rosto jovial, pernas torneadas, busto olhando pro céu, barriga chapada, braços desenhados no pilates, dieta sem lactose e orgânica.

E o pior é que tem mulher que encarna este personagem, se robotiza e vai murchando aos poucos: depressão, ansiedade, anorexia, toc, síndrome do pânico e sei lá mais quantas doenças de caráter psicológico. Acabam se esquecendo que são fêmeas, mulheres de verdade; e mulher de verdade precisa, pelo menos uma vez por dia, ouvir a si mesma e ter coragem de se perguntar:

- O que eu preciso para simplificar o meu dia?

- O que é realmente importante para manter o meu bom humor?

- O que posso fazer para me sentir em paz comigo mesma e com o espelho?

Tem que ficar atenta e forte. O momento é outro, hoje temos escolhas, e muitas. A verdade é que, mais do que nunca precisamos rever a maneira que vivemos os nossos múltiplos papéis. O problema não é a multiplicidade de papéis, qualquer mulher faz e sempre fez várias coisas ao mesmo tempo. Nenhuma novidade! O problema, o grande problema é de novo fazer escolhas reais, condizentes com a realidade.

Não dá pra ser linda, competente, amorosa, gostosa, mãe extremada 24 horas por dia. Isto não existe!

Quem ainda não sabe, precisa aprender a delegar e vez por outra jogar no lixo a culpa e a mania de perfeição.

Acreditar que a beleza da feminilidade vai muito além do que a imagem do espelho pode refletir. Afinal não existe nada mais poderoso do que uma postura delicada e gentil para encarar as durezas da vida e deixar a rotina mais leve, para nós mesmas e quem nos cerca. Nós temos o dom de transformar tudo ao redor, incluindo amanheceres, entardeceres e anoiteceres… sentindo mais do que demonstramos, sabendo mais do que aparentamos, amando mais do que devíamos, querendo mais do que podemos…

E assim seguimos vivazes, básicas, determinadas, às vezes inseguras, em outras com o coração na mão, mas sempre lindas e com o nosso inconfundível jeitinho de fazer acontecer.

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