Se o seu feminismo abstrai sobre as maiores violências que as mulheres sofrem apenas por terem nascido com vagina e capacidade reprodutiva e, por isso mesmo, terem sido impositivamente classificadas como “mulheres” para serem subjugadas — prostituição, trabalho doméstico não-remunerado, controle sobre os direitos reprodutivos (aborto, contraceptivos, planejamento), direito à creche para não estar presa à criação de filhos sucessivos –, se o seu feminismo está aí dizendo pras mulheres resolverem o problema assinando embaixo dos termos que o Patriarcado concedeu para estratificá-las, se o seu feminismo está dizendo às mulheres que essa realidade é uma identidade com a qual elas se conformam… está na hora de voltar a aprender com a sua e a minha mãe, voltar às raízes e abandonar o academicismo liberal que te afasta da prática.
Agora percebem a questão? Quando a mulher dá à luz, ela está gerando as novas forças de trabalho do Capital. Quando ela se desdobra no serviço doméstico sozinha, acumulando hoje duplas e triplas jornadas, ela está assegurando o lucro do capitalista e o bem-estar do homem às suas próprias custas, ao custo do seu próprio desgaste. Sem nenhuma remuneração ou compensação. E isto tem um nome: exploração.
Lembrem-se: as mulheres foram legalmente proibidas de trabalhar de forma assalariada por muito tempo. E isso não é o mesmo que dizer que nunca tenhamos trabalhado. Sempre trabalhamos: como escravas, como cuidadoras, como donas de casa num serviço braçal totalmente invisibilizado que, mesmo sem ser remunerado, permitia gerar riqueza social.