Transparência demais não faz mal

A coletiva de Sérgio Moro foi mais que providencial, no jogo de xadrez que vem sendo meticulosamente jogado entre o governo Bolsonaro e a oposição um lance vinha sendo planejado pela defesa de Lula cujo objetivo era provocar na Suprema Corte com uma tese que não encontra paralelo admissível na Carta Magna e nem nos compêndios da legislação judiciária que se preze. A estratégia tem fundo psicológico baseado num desespero coletivo vigente a partir da irrepreensível iniciativa de convidar o juiz Moro a ser o ministro da Justiça no governo Bolsonaro.

O grupo da Lava Jato por inúmeras vezes se sentiu ameaçado quanto a sustentabilidade e a continuidade dos processos na justiça simplesmente por suas garras estarem alcançando muitos dos próceres do executivo, do legislativo e do empresariado nacional. Os receios se justificaram e não foram poucas as tentativas de limitar o ritmo e a extensão inclusive com estratégias que em certos momentos contaram com o beneplácito de representantes dos três poderes federais e estaduais. Um dos personagens que exerceram papel fundamental como forma de denunciar e pressionar a nação partiu do uso do impressionante poder de disseminação das redes sociais que em tempo real conseguiam desnudar as intrincadas ações que visavam desqualificar as decisões da justiça ou até mesmo encontrar soluções casuísticas que conseguissem como mágica tirar das prisões os barões do assalto aos cofres públicos nacionais.

A apelação no sentido strictum pretende sensibilizar a Suprema Corte em imputar suspeição na decisão do juiz Moro na imputação da pena para o réu Luis Inacio Lula da Silva por seu pretenso objetivo de falta de isenção para o julgamento não apenas de um réu, mas de um adversário político.

O Ministro do STF Edson Fachin como manda o rito aceitou o pedido e convocará audiência para que o pleito da defesa seja julgado pela Corte. Enquanto isso numa atitude de reduzir o ímpeto que tomaria conta do debate público insuflado com certeza pelos próceres dos partidos, pelos artistas, pelos intelectuais e pela militância dos partidos de esquerda, Moro convoca uma longa coletiva com a imprensa, em Curitiba, para esclarecer de uma vez por todas e pacificar a continuidade de uma tese esdrúxula e inconcebível que não encontra paralelo algum no planeta.

Moro, abortou a tese de estar defendendo interesses pessoais e de grupo político ao qual estaria beneficiando quando imputa pena no processo do triplex, com diversas justificativas consistentes. Julgamento antecedeu e muito o lançamento da candidatura, a época de Bolsonaro. De que a decisão da pena por ele imputada passou pelo crivo de diversas instâncias da justiça chegando ao limite permitido quando foi julgada na Suprema Corte, inclusive a decisão da pena imposta pelo juiz Moro foi revista e a que prevaleceu foi maior da imposta por Moro e não sofreu contestação nas outras instâncias da justiça.

Com a chegada de Moro no Ministério da Justiça a tendência será pelo aprofundamento e pelo fortalecimento e garantia do alcance das garras da Justiça sobre os malfeitores que usurparam os cofres públicos sem qualquer parcimônia e cerimônia. A pretensa justificativa de perseguição ao PT não encontra aderência visto que lideranças de outras agremiações cumprem suas penas algo impensável de acontecer.

Com o passar do tempo diversos parceiros da quadrilha vem a público e estão aderindo ao instrumento da delação premiada e seus depoimentos só fazem enriquecer as provas contra muitas lideranças políticas que certamente redundará em muito trabalho e muitos anos de existência da Operação Lava Jato.

Não existirão privilégios e todos que tiveram contas a acertar serão alcançados. A consequência de Moro ter aceito o convite do presidente eleito Bolsonaro terá um profundo impacto inicial abrangente e impactante no aprofundamento da aplicação da lei e na redução da criminalidade, um outro estratégico e fundamental opção prioritária e necessária para reduzir a insatisfação e transformar qualitativamente a qualidade de vida e a confiança no país.

O impacto sobre a imagem do país e para o governo Bolsonaro serão percebidas virtuosamente e contribuirão para a escrita de uma nova realidade nacional, torçamos para que dias melhores hão de chegar.