SERMÃO DO MONTE

“UM NOVO REINO, UMA NOVA CULTURA”

[ o conceito do ensinamento ]


O CONCEITO

As Escrituras Sagradas registram vários ensinamentos de Jesus, ensinamentos impactantes em momentos diversos para fins bem específicos. Os evangelhos reúnem essa grande obra do discipulado de Jesus que vagueiam pelos séculos levando muitas pessoas a reflexão e ainda hoje atraindo e formando novos seguidores e discípulos. O discípulo de Jesus e evangelista Mateus, um entre os doze, em dois dos capítulos de seus escritos sobre sua convivência com o próprio Cristo (Cap. 5–7), nos deixa o ensino mais difundido e conhecido de Jesus, o Sermão do Monte como o conhecemos.

O Sermão do Monte é provavelmente a parte mais conhecida dos ensinamentos de Jesus, embora se possa argumentar que seja a menos compreendida e, certamente, a menos obedecida. (John W. R. Stott)

O propósito de Jesus com o Sermão é de revelar a cultura própria e particular de seu reino, portanto, sua mensagem é que agora os cidadãos e pretendentes desse vivam sob esse padrão por ele estabelecido.

Para um melhor entendimento, vamos buscar os primeiros anúncios do primo de Jesus, João Batista, que o antecede com uma mensagem, e essa mensagem convida ao arrependimento e anuncia a proximidade de um novo reino (Mt 3.2). Passado o tempo de João e, com sua prisão, o próprio Jesus toma o discurso. Em seus lábios as mesmas palavras de seu primo e antecessor, a de que um reino estava próximo e que os que desejavam participar e se tornarem seus cidadãos deveriam se arrepender (Mt 4.17).

Após um pequeno tempo ministerial onde separou doze rústicos e comuns homens para seus discípulos, ele começa seus primeiros ensinamentos e milagres ao mesmo tempo em que observa uma pequena multidão que o segue. Diante do crescimento numérico de seus seguidores cresce proporcionalmente a necessidade de participá-los de coisas importantes em relação ao seu reino. “Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, e ele começou a ensiná-los…” (Mt 5.1–2)

A intenção de Jesus é clara, ele deseja mostrar-lhes que o seu reino tem uma cultura que em muito se difere da cultura do mundo, então podemos dizer que é uma contracultura.

O SERMÃO É RELEVANTE?

Se o sermão é ou não relevante para a vida moderna, só se pode julgar através de um detalhado exame de seu conteúdo. O que salta a vista, é que, não importando como ou em que tempo ele foi composto, forma algo maravilhosamente coerente. Vemos como Jesus é em relação à vida pública, relacionando-se com o próximo, exercendo misericórdia, patrocinando a paz, sendo perseguido, agindo como sal, deixando a sua luz brilhar, amando e servindo aos outros (até mesmo aos seus inimigos), e dedicando-se acima de tudo à expansão do reino de Deus e da sua justiça no mundo.
Talvez uma rápida análise do Sermão ajude a demonstrar a sua relevância para nós, no século vinte e um.

a. O caráter do cristão (5.3–12)
As bem-aventuranças enfatizam oito sinais principais da conduta e do caráter cristão, especialmente em relação a Deus e aos homens, e as bênçãos divinas que repousam sobre aqueles que externam estes sinais.

b. A influência do cristão (5.13–16)
As duas metáforas do sal e da luz indicam a influência que os cristãos devem exercer para o bem da comunidade se mantiverem o seu caráter distinto, conforme descrito nas bem-aventuranças.

c. A justiça do cristão (5.17–48)
Qual deve ser a atitude do cristão para com a lei moral de Deus? Ficaria a lei propriamente dita abolida na vida cristã, como estranhamente afirmam os advogados da filosofia da “nova moralidade” e da escola dos “não-mais-sob-a-lei”?

d. A piedade do cristão (6.1–18)
Em sua “piedade” ou devoção religiosa, os cristãos não devem se acomodar nem com o tipo hipócrita dos fariseus, nem com o formalismo mecânico dos pagãos.

e. A ambição do cristão (6.19–24)
O “mundanismo” do qual os cristãos devem fugir pode ter aparência religiosa ou secular. Por isso devemos ser diferentes não apenas em nossas devoções, mas também em nossas ambições.

f. Os relacionamentos do cristão (7.1–20)
Os cristãos estão presos em uma complexa teia de relacionamentos, todos eles partindo do nosso relacionamento com Cristo. Quando nos relacionamos devidamente com ele, os demais relacionamentos são todos afetados.

g. Uma dedicação cristã (7.21–27)
O último item apresentado relaciona-se com a autoridade do pregador (Jesus). Não basta chamá-lo de Senhor ou ouvir seus ensinamentos. A questão básica é se nós somos sinceros no que dizemos e se fazemos o que ouvimos. Deste compromisso depende o nosso destino eterno.

O SERMÃO É PRÁTICO?

Uma coisa é convencer-se da relevância do Sermão em teoria, mas outra totalmente diferente é ter a certeza que funcionará na prática. Seus padrões são atingíveis? Ou devemos quedar-nos satisfeitos, admirando melancolicamente a distancia?

Talvez olhando a realidade nu e crua da perversidade humana, cheguemos à conclusão de que os padrões do Sermão do Monte são inatingíveis. Podemos dizer que seus ideais são nobres porém impraticáveis, atraentes à imaginação mas impossíveis de se cumprir. Conhecendo o agressivo egoísmo humano, questionar: como pode então alguém ser manso? Conhecendo a imperiosa paixão sexual humana; como pode então, alguém refrear os seus olhos e os seus pensamentos concupiscentes? Sabendo da prontidão humana em irar-se e em ter sede de vingança; como então, esperar que alguém ame seus inimigos?

No extremo oposto ficam aquelas almas superficiais que desembaraçadamente afirmam que o Sermão do Monte expressa padrões éticos que são manifestamente verdadeiros, comuns a todas as religiões e fáceis de obedecer. “Eu vivo de acordo com o Sermão do Monte”, dizem.

A verdade não se encontra em nenhuma das posições extremas. Os padrões do Sermão não podem ser imediatamente atingidos por todo o mundo, nem totalmente alcançados por qualquer um. Colocá-los além do alcance de qualquer pessoa é ignorar o propósito do sermão de Cristo; colocá-los como sendo atingíveis por qualquer pessoa é ignorar a realidade do pecado. Esses padrões são atingíveis, mas somente por aqueles que experimentaram o novo nascimento. A justiça que Jesus descreveu no Sermão é uma justiça interior. Um novo nascimento é essencial.

Jesus proferiu o Sermão para aqueles que já eram seus discípulos e, portanto cidadãos do reino de Deus. O alto padrão que estabeleceu só é apropriado para tais pessoas. Não podemos e, é impossível, alcançar este status privilegiado por obedecer ao padrão estabelecido por Cristo. Antes, quando seguimos o seu padrão ou, pelo menos, quando nos aproximamos dele, damos prova de que a livre graça e dom de Deus já operam em nós.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.