A gente se contenta com pouco

Solitaire por Yelena Bryksenkova

No dia 2 de janeiro, o Facebook lembrou que há quatro anos eu começava o meu primeiro trabalho como jornalista. Pra ser sincera, eu não gosto nem de pensar muito naquele estágio. Eu achei que já no segundo ano da faculdade eu teria que desistir da profissão. Mas também foi a experiência que mais me ensinou sobre jornalismo e todo o meu futuro na carreira, até então, dependeu desta experiência.

Eu não sabia daquilo na época. Eu sabia que tinha uma chefe que me fazia muito mal e que todos os dias eu sentia um alívio tremendo quando dava a hora de ir embora.

Eu não gosto de puxa saco. E na minha profissão está lotado de pessoas assim. Sempre pensei que se eu me esforçasse o bastante seria reconhecida. Mas normalmente, na vida, não somos liderados por quem se esforça, mas por alguém que cresceu por puxar o saco da pessoa certa. Eu não tenho este dom e prefiro não ter.

Mas a gente se contenta com pouco. O que eu percebi que sempre as pessoas são colocadas em um pedestal por muito pouco, e confesso, isso começou a me desmotivar um pouco. Sou fã do trabalho bem feito, mas nem sempre ele é necessário pra gente crescer.

A gente se contenta mesmo com pouco. Quase sempre somos liderados por pessoas que não fazem nada, que arruínam nossa saúde, nos desmotivam, nos chateiam. “Ah, mas é uma oportunidade tão valiosa”. E continuamos querendo fazer mais, porém se contentando com pouco.

Imagina como a vida seria se as pessoas que nos guiassem em nossas carreiras trouxessem sempre à tona o nosso melhor? Nossas ações seriam muito mais úteis e o mundo mais prático.

Eu percebi isso nos últimos quase dez anos trabalhando. Por mais que não tenha medo do trabalho, sempre fui reconhecida fazendo o certo, mas sabendo que poderia fazer muito mais se tivesse condições. Porque as pessoas se contentam com pouco.

Não nos contentaríamos com pouco se as pessoas valorizassem as ações, não se importassem com nomes.

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