XVI.
Eu não seria capaz
de trabalhar com vespas ou baratas
porque no vermelho do semáforo
elas não param
nem pedem arrego
quando vem o primeiro sol da manhã
Por mais que eu tente
é impossível desvendar a cicatriz
no percurso entre sua orelha e a nuca
que pode não ter exatamente
o formato de um inseto, assim
mas eu não consigo
trabalhar com animais alados
Talvez seja porque
a intensidade com a qual você mastiga
fode toda revolta emocional que circunda
o meu medo de ouvir quebrar as coisas
Se fecho os olhos por três segundos
imagino você
diante das intimidades do subterrâneo
decepando o Mal feito um arcanjo
e com ele, uma legião de vespas
e baratas
A terra puída sob os meus pés
é ínfima demais
O medo não existe