Adeus, Fotolog. Obrigada por tudo.

Minha vida conectada começou até que cedo. Apesar de não ter sido uma usuária ativa de Napster e mIRC, desde 1999 lá em casa a gente já tinha computador e logo em seguida internet. Aquela discada, com aquele barulhinho maravilhoso, que só podia entrar da meia noite às seis da manhã em dias de semana ou finais de semana à partir das duas da tarde de sábado. Em casa, quando entrávamos na internet escondidas era um deus nos acuda na hora em que o pai ou a mãe chegavam e tínhamos que desligar tudo, puxar o fio correndo e voltar no telefone, sentar na sala como se tivéssemos passado a tarde inteira apenas assistindo televisão.
Bom, a conta do telefone acabava nos desmentindo e nada mudava no mês seguinte. Era uma questão de aceitar. A internet era mais forte.

Foi ainda por essa época que lembro da febre que era o Fotolog. Só eram liberados 20 (?) acessos por país (ou estado?) e o horário era bem ingrato. Três horas da manhã. Eu sempre tentava, sempre falhava. Foi só então depois de certo tempo e insistência, e com a ajuda de um amigo que tinha a internet melhor que a minha que eu consegui criar não só um, como dois fotologs. Um deles era o 13_stitches, em homenagem ao NOFX. O outro vou permanecer em segredo, afinal, nunca se sabe quando as coisas podem voltar pra te assombrar, apesar de eu achar que não é o caso do Fotolog.

O Fotolog era a ferramenta mais legal da época. O Floggão e o Blogger eram legais, o Blogger um pouco mais que o Floggão, sem dúvida alguma. Foi nele que aprendi a mexer (bem mal, diga-se de passagem) em CSS. Hoje já não lembro de mais nada, mas passei inúmeras madrugadas alterando layouts e checando se ficava bom ou não o texto, a letra, o mouse colorido com rastro de glitter. Quem aí lembra dos “templates by Marina”? Boas lembranças, belíssimos templates.

Mas o Fotolog era diferente de tudo. Era da galera, era dos descolados, dos envolvidos. Dos que curtiam. Era uma atração muito doida e um formato tão único que nada nunca vai ser igual ou melhor, isso claro, na minha humilde opinião.

Imagina que naquela época você só podia postar uma única foto por dia. Umazinha. Ela precisava ser a melhor, a mais incrível a mais interessante, a que ia fazer você conseguir bater 10 comentários, e então você tinha que copiar os comentários num bloco de notas, apagar os comentários feitos e colar tudo em um único, para que sobrasse mais espaço pras outras pessoas dizerem como a foto estava demais, ou como o texto que você tinha escrito meticulosamente, cheio de espaços, gírias e mistérios, era perfeito. Com o tempo as coisas mudaram e quem podia pagava o Gold, que dava direito a seis fotos por dia. Eu sempre achei uma imensa besteira, mas tinha gente que trabalhava com isso, então a profissionalização da internet, ao menos ao meu ver já começou aí.

O Fotolog durante muitos anos foi o arquivo das minhas memórias mais esquecidas. Dos meus textos mais ridículos, das minhas crises adolescentes. Eu não sabia o que fazer, eu sei que queria fazer tudo. O que não difere muito da Letícia de hoje em dia, que quer tudo ao mesmo tempo, mas não sabe exatamente o que ou por onde começar.

É triste pensar que damos adeus a uma parte online tão importante das nossas vidas, assim como foi a despedida do Orkut e até mesmo a sobrevivência fraca e com a ajuda de aparelhos do MSN, até seu verdadeiro fim, mas tudo na vida é feito de ciclos e tempos de vida e, como esquecido que estava, a única maneira de voltar a ser notícia uma última vez antes de poder descansar em paz era com a sua cartinha de suicídio coletivo.

O jeito é aceitar e agradecer. Até mais!

Foto resgatada tempos atrás.
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