Das evoluções

Quando você decide tomar uma postura na vida (e na internet) e “escolher um lado” — porque é assim que eles definem. Por lados. O bom e o mal. Como se fossem duas verdades. Ou no caso, duas mentiras — muita coisa passa pela sua cabeça. Quantas vezes você usou gorda como ofensa? Ou então disse que algo era serviço de preto, ou de pobre. Coisas cafonas antes eram de baiano e todo cearense tinha cabeça chata. Aquela menina com cara de empregada, a bicha escandalosa que não precisa disso pra aparecer. Aquela mulher em um cargo alto? COM CERTEZA transou com alguém. Você já ouviu as ideias dela? — Quanto absurdo reproduzido. Quanta energia gasta com negatividade a estereótipos, características, estilos…
Antes de cair a ficha, eu, branca, achava ok chamar um amigo negro de preto. Hoje, por mais que eu tenha essa “autorização” como um apelido carinhoso, por exemplo, (não tenho), eu não faria. Não é da minha cultura. Não seria legal eu falar algo que possa soar errado para outros. Assim como acho dreads uma coisa linda, mas em respeito a “dívida histórica” (ela existe, você sabe disso. você só está onde está hoje porque é branco. Aceita!) voltando. Em respeito a toda a história eu não faria novamente. Já tive 3. Ridículo. Eu sei.

Buscar tweets de 2014, 2012, 2010 é fácil. Eu era (mais) arrogante. Eu achava que não era exatamente ofensa se alguns aceitavam. Eu estava errada. E de 2014 pra cá muita coisa mudou, e acredite, sigo cometendo erros hora ou outra, mas acontece que mais uma vez eu estou cansada de ver mulheres vítimas de atrocidades serem atacadas por trolls de internet. Se você der uma busca rápida no Twitter verá coisas realmente absurdas, e inclusive ataques feitos pra mim (e por mim). Fui cutucar o vespeiro e cutuquei sujo. Joguei na mesma moeda. Fiz certo? Não sei. Não acho que minha justiça é certa. Mas de uma pessoa que sofreu e praticou bullying quando jovem, eu me recuso a aceitar esse tipo de atitude com pessoas que estão sofrendo.
Pode parecer ridículo, ou complexo de super heroína, mas eu aprendi que já que não consigo controlar minha boca e meus pensamentos, que se precisar eu jogo com as mesmas armas de quem tá prejudicando quem está mal, sofrendo.

Eu não sou uma pessoa ruim. Eu mudei muito e aprendi e sigo aprendendo muito sobre respeito, empatia e educação. Não sou perfeita e nem a dona da razão e talvez use dos métodos errados pra passar o que penso e sinto, mas definitivamente sei que não sou uma pessoa ruim.

Eu até posso apagar esses registros do passado (apaguei um, devia ter deixado), mas não posso apagar o que disse da minha própria consciência.

Mas em respeito a tudo que sou e acredito hoje, eles ficarão onde estão. E eu sigo na luta, pra ajudar quem precisa. Aos que de alguma maneira ofendi no passado, minhas mais sinceras desculpas.

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