Sobre o amor…

Hoje de manhã eu tava me arrumando pra vir pro trabalho e acabei dando pleleley nessa matéria do Fantástico do domingo passado. Não tinha passado nem metade da matéria eu já tava em prantos no banheiro de casa tentando manter o rímel de ontem no lugar.

O choro foi um misto de muitas coisas. De emoções confusas, de sentimentos muito bons e muito ruins. Pra começar que por mim ninguém ficava doente nesse mundo. A gente já vive “tão pouco” e muitas vezes não tão bem quanto gostaríamos e seja lá se foi por causa de deus ou “simples genética”, ou então fatores externos, ficar doente deveria ser proibido por lei. Ok, pode rolar uma gripe, uma dor nas costas, umas dores de dente pra ficar esperto com a escovação, mas não essas que matam, que machucam, que paralisam, que impedem de alguma maneira. Eu sei, tem gente forte, gente linda e bem resolvida com o que a vida dá pra gente que consegue viver e muito bem, mas eu simplesmente preferia um mundo saudável (não me pergunte como controlaríamos a natalidade e a mortalidade, no meu mundo tá todo mundo muito bem, obrigada), mas né, não é assim que as coisas funcionam.

E aí tem a história desse casal. E em sete minutos bateu aquela vontade de querer compartilhar o que eu penso sobre o amor e outras coisas. Coisa inclusive que não faço nunca. Eu só posto besteira, feminismo e umas putariazinha aqui, outras acolá. Então segue:

O amor é muito lindo, o amor é muito bom. Quando não provém de família e amigos (apesar desse amor ser lindimais e forte demais), quando é um caso de amor + sexo + vontade de estar com outra pessoa é F O D A. É explosivo, enche o coração de expectativas, de vontades, de desejos e não importa o que aconteça, quando a gente ama de verdade a gente se entrega, divide, multiplica, soma, e até perde uma ou outra coisinha, mas no final da equação o resultado é positivo, sempre.

Então assim, se eu não amo, se eu não me dou esse direito, ou tenho essa vontade é porque pra ser amor, tem que ser amor mesmo. Tem que ser alguém que olhe pra você e fale: eu ainda quero fazer tudo com você, não importa de que maneira.

Não é amor se:

A pessoa diz que você não é capaz de fazer algo;
A pessoa diz que você não pode ser assim ou assado;
A pessoa diz que você não deveria se vestir assim ou assado;
Não é amor se rola agressão.
Não é amor se a pessoa diz que nunca teria filhos com você porque você é louco/louca;
Não é amor se a pessoa fala que você nunca vai arrumar mais ninguém na vida porque ninguém além dessa pessoa seria capaz de te suportar;
E definitivamente não é amor se você sente que não está sendo tratado como deveria.

Eu acreditei no amor. Eu vivi um amor. Vivi vários, pra falar a verdade. E aprendi a diferenciar o amor verdadeiro (cafona, né?) de uma paixão, de um desejo incontrolável, de tesão, de sexo e prazer em sua mais pura forma.

Se eu ainda acredito no amor? Sabe que eu não sei? Na verdade não sei se eu fui feita pra isso. Pra essa troca, pra essa cumplicidade. Talvez meu destino seja ser sozinha e isso nem me incomoda mais, pelo contrário, hoje tenho certeza absoluta que sou feliz e “me basto”.

“Ah, mas você não sente falta? Que coração de pedra! E as conchinha? E as mensaginha? E os carinho?”

Tem vez que dá vontade de entrar num E-Harmony da vida, num Vai dar Namoro, Em Nome do Amor, Fica Comigo, qualquer coisa, apenas pra ter um boy (por que não uma girl) pra tirar umas foto bonita pra por no Instagram, pra passar o domingo fazendo vários nadas e dividir o último bem casado do casamento da prima da tia do companions. Tem vez que eu penso: obrigada senhor por me fazer uma pessoa consciente que a minha felicidade não depende de ninguém além de mim. Talvez umas garrafinhas de licor de framboesa da Kopenhagen.

Sabe, pra entrar em uma relação é preciso ter muita certeza do que a gente quer. Porque quando você tem alguém do seu lado você precisa sim se entregar e fazer coisas que talvez não estivessem no primeiro plano e quando eu vejo esse casal, eu penso: caralho, que história.

A parte não tão bonita que não mostra na matéria é que a PCD é muito rara. Apenas 1% dos pacientes que tiveram certos tipos de câncer podem vir a ter a PCD, que (não sou médica, desculpa quem entende disso) é tipo uma síndrome que acontece em casos de câncer “mal curados”, por assim dizer. A Juliana infelizmente não vai mais recuperar os movimentos, mas pode fazer tratamentos que podem ajudar a melhorar a vida dela. Ela não vai poder cuidar 100% do filho e vai depender e muito do Guilherme, até que, bom…

Pra encerrar: por favor, amem muito, vivam muito, vejam e sejam tudo que vocês puderem ver, ser e sentir. A areinha da ampulheta tá caindo e nem sempre dá pra virar de novo e ter mais tempo pra fazer o que a gente tem vontade, mas acima de tudo, amem muito vocês mesmos e fujam de qualquer tipo de relacionamento (profissional, familiar, amoroso, de migs, do que for) que possa fazer com que vocês não se sintam inteiros e felizes.


Link para a matéria aqui

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