A Wired estava errada?

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Em maio de 2006, que hoje para mim parece uma data longínqua, decidimos abrir um negócio de comunicação que reconhecesse o tsunami que foi a explosão de novos meios ocorrida no final da década de 90 e na virada do século. Vale lembrar: em 2006, não falávamos de Facebook, Twitter, Instagram, era basicamente o Youtube (muito menor do que hoje), o Orkut e os blogs. E claro, muita mídia display: banners e seus pares, desbravadores rudimentares de um mundo muito maior e mais complexo que estava por vir.

Foi nesse cenário que abrimos a Santa Clara, dispostos a trabalhar com psicologia de consumo (esse é nosso verdadeiro negócio, publicidade é apenas uma de suas possíveis execuções) num cenário novo, desconhecido, excitante e, admito, assustador.

Naquele 2006, o conceito de “start-up” unindo uma plataforma digital e um serviço real era embrionário. Se alguém me falasse, sei lá, do Uber naquele momento eu faria uma cara de interrogação. Ainda se discutia, na paranóia do pós-bolha, a “monetização” das idéias mais inovadoras, e o a palavra “Marketplace” nos levava a um shopping na Marginal, não a um conceito de negócio presente em 8 a cada 10 startups de sucesso.

A palavra da moda era “blogosfera”. Coisa velha, não? Tããão 2006. Seguindo sua verve crítica e analítica, a Wired publicou naqueles tempos um artigo intitulado “Power to The Idiots”, basicamente abordando a conquista de poder de voz por “qualquer um”, e a consequente proliferação de asneiras num mundo antes mais regulado, pro bem ou pro mal. Eu li, reli, e adorei o artigo.

Corta. Fast forward. Fevereiro de 2016. Aqui estou, escrevendo no Medium, e começo a me questionar: estava mesmo correto aquele artigo? Tenho uma relação pessoal de carinho com o Medium, exatamente porque há cerca de um ano e meio procurei uma plataforma de manifestação de conteúdo para um projeto pessoal, um blog político que mantenho sem nenhum objetivo profissional. Apenas, digamos, terapêutico. Quando decidi escrever o blog, pedi sugestões para amigos próximos sobre a plataforma ideal, e assim conheci o Medium.

Minha primeira impressão foi justamente a de contraposição ao tal artigo da Wired: o Medium parecia um território inóspito e hostil para os idiotas. Li um texto divertidíssimo, que levou para outro perturbador, e assim fui, pulando de texto em texto, de autores diferentes, sempre terminando um texto com mais do que eu havia começado.

Usaremos este espaço com esta ambição: a de contrariar, pelo menos um pouquinho, aquele excelente artigo de dez anos atrás.

Por Fernando Campos