Definir-se é limitar-se
Por muito temi me autodeclarar escritor, mas afinal de contas o que compõe um? O ato de escrever? Escrever um livro? Ser lido? Ser publicado? Quem escreve diários e anotações não são escritores? Quem escreve notas de roda pé e poesias de porta de bar também não são?
Se ninguém nunca leu o que você escreveu, você não é um escritor? Mas então, o que lhe habilita descrever-se como um funcional usuário dos escritos em versos, fonemas, linhas, letras, lugares, luzes. Fotógrafos são escritores? Tatuadores são escritores?
A vida é escritora ou é obra? Os escritores são escritores ou obras? E quem define quem pode ou não pode ser escritor? E qual identidade possui o mesmo? Um alter ego que escreve um eu lírico que nunca existiu? Uma personagem de um conto qualquer que esconde a verdadeira cara de quem gostaria de declarar amor em cada verso que escreve?
Afinal de contas quem ousaria dizer-me que não sou escritor? Sou do tipo que vê um pássaro pousar num fio e já penso metáforas sobre como a vida é transitória. Vejo a luz do sol entrar pela fresta da porta e já consigo visualizar uma história em que olhos castanhos são iluminados pelos raios de sol numa manhã fria de quarta-feira.
Afinal de contas: quem são os escritores e o que eles fazem? Eles são bons mentirosos ou maravilhosos contadores de histórias? São seres eternamente magoados ou pessoas imensamente apaixonadas? Quem ousaria definir, descrever ou determinar o que é um escritor?
Eu ouso dizer-lhes que o escritor é aquilo que está sempre no fim da frase.
O ponto final.
