Diálogos impossíveis I

> oi
> oi
> preciso te dizer que estou com medo.
> medo de que?
> medo de quem eu posso ser quando estou com você. medo do que eu sinto quando você me abraça. medo de estar pulando de outro penhasco sem saber se o amor vai ou não me fazer voar.
> você não precisa ter medo, eu estou aqui por você não estou?
> talvez eu queira que você esteja aqui por nós, talvez essa minha vontade de justificar tudo faça tudo desandar. eu tenho vocação natural em estragar as coisas e você não merece isso. eu só queria conseguir viver com a dúvida diária de se você vai me amar a cada novo nascer do sol.
> eu vou sempre amar você. mesmo no dia que você não me queira mais ao seu lado, amor não morre. você pode sentir que é amor não pode? você consegue entender que existe algo muito raro acontecendo aqui?
> é tudo muito bonito agora, eu queria que fosse assim pra sempre. eu já caí tanto que as dores que senti me tornaram refém do medo de amar outra vez. não sei se sou capaz de viver algo tão intenso e tão lindo da forma que deveria ser vivido. eu tô sendo honesta, eu preciso de promessas que se cumpram, eu quero um infinito com você.
> eu estou aqui agora, não estou? vamos viver um dia de cada vez? vamos ver no que isso vai dar, sem acelerar o tempo de nada. nós somos bons demais juntos pra deixar de viver isso.

Eu só não sei se sou capaz de sobreviver a incerteza do amanhã. A incerteza me tira o sono, me faz pensar que a qualquer momento eu vou estar de volta ao mesmo lugar que estou agora, no quarto, com medo de colocar o pé para fora, para a vida.