Don’t be a why

Inevitavelmente o suicídio virou pauta de muitas conversas, entre as razões estão o jogo “Baleia Azul” e a série “Os 13 porquês”. Se virou discussão precisamos saber do que estamos falando e parar de banalizar os acontecimentos.

Pessoas não atentam contra a própria vida por puro prazer, essas pessoas têm motivos para acreditar que morrer vale muito mais a pena. Nem toda pessoa que comete suicídio está depressiva. Existe um fenômeno estudado por psicólogos que parece indicar que o suicídio pode ser “epidêmico”.

O tal jogo que surgiu na Europa vem sido comentado com certo descuido e descontrole. É fácil pra quem consegue lidar com o mundo achar que é só um jogo. Não é bobagem, é a ilustração perfeita da capacidade das pessoas em destruírem a vida de outras pessoas. Pessoas que se aproveitam de outras pessoas para induzir a algo que até aquele momento ainda não havia coragem de fazer.

Nem todo mundo aprende a lidar com tudo, nem todo mundo vê todos os lados dos acontecimentos, nem todo mundo consegue pensar positivo, andar na linha, viver no limite. Não é pra todo mundo a passividade de lidar com as opressões do mundo.

A série da Netflix veio pra dizer que existem motivos, e que existem possibilidades diferentes sob o olhar de pessoas diferentes. A série veio pra dizer que essas coisas acontecem e não podemos banalizar a visão do outro sobre o mundo.

A série só errou ao dizer que todos são culpados, a série errou em tentar mostrar que existe uma vítima e vários culpados. No mundo real, as pessoas não se separam em aqueles que fazem bullying e aqueles que sofrem as agressões.

Uma grande parte do público dessa série acredita estar no lugar da vítima, e se enxerga sofrendo algumas das agressões equivalentes a da personagem. O que ninguém percebe é que mesmo sendo “vítima” as pessoas também são os algozes, são os motivos.

Não existe uma fronteira entre o bem e o mal, às vezes nós erramos mesmo. O problema que uma série dessa cria é mostrar que as pessoas se culpam depois que alguém se suicida, é como uma espécie de “vitória” para aquele que tirou a própria vida. Na vida real, as pessoas não estão nem ai, o outro morre e nós seguimos nossas vidas.

A gente sempre lembra de apanhar, mas nunca lembra quando bateu. No mundo vai ter sempre muito why se colocando na posição de Hannah.