Feita de amor

Observe como eu te olho com todo amor do mundo.

Você consegue perceber que todo o meu corpo grita amor? Não há mais o que declarar. Diria que está implícito no que eu faço, mas na verdade está explícito no que eu vivo. Eu respiro amor, eu caminho amor, cada gesto meu é amor.

Talvez você precise de confirmação ou garantia, mas eu também sei que você sempre soube me ler e isso sempre me tornou mais vulnerável. Agora entendo que a análise era incorreta: todas as vezes que eu tentei dizer sim você ouviu não; todas as tentativas de gritar amor aos quatro cantos, ainda que em silêncio, você entendeu como abstenção de sentimento. Todas as vezes que a minha intensidade causou atrito no ar entre nós você não sentiu as fagulhas.

No final das contas você nunca soube, apesar do quanto eu sempre falei, em palavras mesmo. Você nunca entendeu a verdade que era a coisa mais simples do mundo e eu tenho que te agradecer por isso. Por não entender, por dar as costas, por não acreditar. Afinal, quem amaria um ser tão imperfeito?

Na real? Eu amaria. Se você se permitisse ser amado. Eu até amaria, mas na verdade não amo, não como poderia ser. Afinal de contas, sou amor até mesmo quando não quero ser.

Eu sou amor e isso pra mim basta. Mesmo que você não me aceite exatamente por isso. Não me desculpo por ser amor, porque é a coisa mais pura que há em mim, e sem isso eu não sou nada.