O silêncio da chuva

É intenso o silêncio que o mundo faz quando começa a chover. As ruas ficam vazias, as casas cheias, o cheiro de terra molhada toma conta do ar e eu entro num estado de torpor. É quando começo a me perguntar, mas até que ponto podemos estar apaixonados por alguém?

Parece que não tem relação né? Mas o barulho da chuva fala muito em mim. É o momento é que o coração grita, onde a memória reverbera, é quando a intensidade do silêncio não consegue calar as sensações. Quando chove lá fora, chove aqui dentro também. A chuva parece um reflexo do meu estado emocional que sempre se renova depois de cair do céu.

Vejo as pessoas sorrindo por ai, vejo casais apaixonados andando de mãos dadas pela rua, mas eu só consigo sentir a verdade quando a chuva cai, porque é só ai que os meus sentimentos extravasam (as vezes pelos olhos, outras tantas direto do coração). Sempre achei que os banhos de chuva, onde abro os braços e danço feliz pelas ruas, era a marca maior do momento de percepção dos sentidos, mas ouvir a chuva cair me faz sentir muito mais.

A janela entre aberta, o cheiro de terra molhada, a falta de sono e o som da chuva são as únicas coisas que preciso pra morrer de amores. O som da chuva imita aquela voz rouca. O som da chuva me diz tudo aquilo que tenho dificuldade em acreditar. O som da chuva é o que me faz crer que todos os dias você estará lá (independente de onde) e que continuaremos conectados lindamente, assim como sempre. O som da chuva dá mais certezas do que a gente possa imaginar. É… tudo isso só porque choveu.