O universo de cada um

Com o passar do tempo nós naturalmente nos fechamos, nos tornamos pequenos museus de nossas memórias. Quando começamos a carregar marcas de dor no coração naturalmente nos permitimos bloquear certas interações, porque outrora se mostraram severamente dolorosas aos nossos “eus”.

Se fechar é o mecanismo de contenção de danos mais primitivo dos seres humanos. Todos nós passamos momentos de companhias próprias, em que nos enchemos de nós e expomos o vazio que sobra. Incrível é ver o processo contrário acontecer. Incrível é perceber que quando essa porta se abre o vazio na verdade é um infinito de sensações.

Quando as portas se abrem nós finalmente conseguimos ter acesso ao que há de mais escondido em nós e no outro. Conseguimos finalmente alcançar aqueles pequenos pontos que faltavam para a completude. Quando as portas se abrem nós podemos enxergar o reflexo do eu de cada um em nós. Quando as portas se abrem nós conseguimos perceber que cada um é um universo infinitamente maior do que acreditávamos ser.