Reuniões de família

[senta aqui, vamos conversar]

Eu sei o que é ser tachado como o chato da família no momento das desconstruções, vamos conversar. Eu sei que sempre que rola um assunto polêmico todo mundo olha pra você com aquela cara de “lá vem”. Eu sei que às vezes as pessoas pisam em ovos perto de você com medo de serem “regulados” ou corrigidos.

Se essa é a sua imagem, parabéns! Estou orgulhosa de você. Independente de quem você seja, da cor da sua pele, do seu gênero, da sua orientação sexual, da sua classe, ou qualquer outro indicador. Parabéns por não abaixar a cabeça pra sociedade patriarcal, machista, misógena, sexista, racista, homofóbica e afins. Parabéns por não se calar na frente dos seus familiares pra não ser taxado como chato. E te digo mais, vale a pena viu?

O esforço muitas vezes vale a pena, vale bater de frente e mostrar que “não é bem assim”. Quando a gente mostra o outro lado, que talvez a pessoa nem conheça, a gente considera que o tiozão que tem mais de quarenta não está atento a sociedade atual como nós estamos, tá acostumado com o silêncio dos inocentes, e com o grito dos opressores. A gente leva em consideração que a opinião deles foi formada em outro contexto social e que mesmo não condizendo com a realidade não é pra ser descartada, mas remodulada, até que esses conflitos deixem de existir.

Nós nascemos numa sociedade patriarcal racista e podemos combater o racismo e o machismo, pra eles é o mesmo esquema, só que o pouco mais enraizado e internalizado, mas não desiste não viu? Vamos juntos nessa luta, peça por peça, a cada reunião aterrorizante de família, até conseguirmos melhorar a situação. Vamos a luta, minha luta, sua luta.