Secreto

Existem coisas que a gente vê e não conta pra ninguém: às vezes é segredo de estado para casos de vida ou morte, outras tantas é só porque não devemos nos entrometer. O surreal é quando nos faltam palavras.

Não saber como dizer, acho que esse é o medo de todo e qualquer escritor, afinal nesse âmbito da vida se sobrevive de dizeres e informações discordantes, concordantes e as vezes concorrentes. É sempre preciso dizer algo, mas isso não significa que não somos capazes de guardar segredo.

É engraçado dizer-lhe agora que escrevo sobre algo que não posso contar. É que sempre existe aquele lugar secreto imaterial e intransferível, onde os nossos maiores segredos, medos e anseios estão sendo cuidados por mãos delicadas, que sabem o que fazem.

É só nesse lugar, longe de mundo inteiro que podemos ser nós mesmos, sem medos, pudores, riscos e desventuras.

Só ser a pureza de ser.

E é nesse lugar secreto em que se encontram os sentimentos mais intensos, os confortos mais agradáveis, os carinhos mais afagados, é onde está a plenitude do existir. É nesse lugar que nem você conhece (já que disseram por ai que coração do homem é terra que ninguém passeia), é lá onde você se cala e tudo grita.

É onde se pode rir de tanto chorar, é onde mesmo ao se calar ainda assim se diz muito, é onde o nada é muito, é onde a vontade de estar a sós é tão intensa que percebe-se que algo lhe faz companhia.

É só nesse lugar secreto que se pode sentir a verdade, e a verdade não é um verbo, mas é um sentimento — um sentimento muito intenso.

    Escreva para Julieta

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    Te abracei forte, mas você era um cacto e eu um balão. https://www.facebook.com/escrevaparajulieta/