Uma dose de romance. Sem gelo, por favor.
Seria incrível se pudéssemos chegar no bar e comprar sentimentos como bebidas alcoólicas artesanais, que teoricamente só são vendidas para maiores de 18 anos. Quão fácil seria viver sensações e sentir coisas que não sentimos a tempos, ou das quais só ouvíamos falar, se em cada bar pudéssemos encher a cara de amor.
Será que as pessoas seriam mais felizes se a cada happy hour na sexta fosse possível tomar uma dose de romance na sua versão mais pura e destilada, sem gelo, trazida em um pequeno copo onde servem tekilas e outras bebidas que servem pra maltratar o coração?
Se tem uma coisa que aprende-se no bar é que os sentimentos são alcoólatras, quando mais bebida consomem, mais resistentes ficam. O estado de torpor pra eles nunca chega. Não dá pra embriagar o amor, muito menos a saudade. Mas será que você tem coragem de se embriagar de amor?
Se os sentimentos estivessem no bar, a garrafa de amor talvez fosse a mais barata, não por ser a pior bebida disponível, mas por ser a menos procurada. Quem teria coragem de beber a intensidade de um sentimento tão mal resolvido quanto o amor? Talvez as garrafas mais bonitas sejam a de luxúria e a de tesão, seriam as mais procuradas e as que mais chamariam atenção, porque todo mundo aprende a lidar com o que é devasso e intensamente instantâneo. Ainda olhariam torto a quem chegasse no bar e pedisse “uma dose de amor, por favor”.
O amor é duradouro e a ressaca dele demora a passar.
