
Ferrari 70 anos — Parte 1
O carro vermelho mais icônico do mundo completa 70 anos em 2017
Foi no dia 12 de março de 1947 que Enzo Ferrari fez a revelação do 125 S, o primeiro carro a levar seu sobrenome. A história da Ferrari como conhecemos hoje começou com um test-drive pelas ruas de Maranello. Setenta anos após esse dia histórico, chegou a vez de olhar com orgulho para esse passado e celebrar a data.
Década de 40 — Nas pistas

A primeira corrida aconteceu apenas dois meses depois, em maio do mesmo ano. E já veio com vitória.





Franco Cortese completou 40 voltas, num total de 137.6km percorridos, a uma velocidade média de 88.5 km/h.
Ainda na década de 40, foi lançado um novo modelo de carro de corrida:




Década de 50 — A estreia na F1: a primeira vitória, o primeiro título mundial, a conquista de Mônaco e a chegada de Fangio

21 de maio de 1950: uma data histórica para o automobilismo. Foi nesse dia que a “Scuderia Ferrari” estreou na categoria máxima do esporte no Grande Prêmio de Mônaco. Na ocasião, Alberto Ascari chegou na segunda posição. A primeira corrida dessa temporada aconteceu neste mesmo ano, em Silverstone, na Inglaterra. A Ferrari optou por não participar.
A primeira vitória correndo na elite do automobilismo veio no ano seguinte, em Silverstone, curiosamente o mesmo circuito em que a escuderia não correu no ano anterior. José Froilan Gonzalez foi o piloto que conduziu o cavalinho rampante rumo ao lugar mais alto do pódio. Gonzalez era argentino e conterrâneo de Juan Manuel Fangio, que corria pela Alfa Romeo e dominava as pistas até então. Fangio foi inclusive o campeão neste ano, seguido por Alberto Ascari e Gonzalez.
7 de setembro de 1952: no Brasil comemorava-se os 130 anos da independência. Em Monza, na Itália, Alberto Ascari celebrava em casa o título de campeão mundial de F1 após vencer seu 6º Grande Prêmio consecutivo. Assim, a Ferrari conquistava seu primeiro título mundial de pilotos.

Mônaco sempre foi um Grande Prêmio icônico. Ganhar naquelas curvas sempre foi um desejo tão almejado quanto um título mundial. Ok, talvez não exatamente isso, mas certamente era o GP mais cobiçado da temporada. Aconteceu em 2 de junho de 1952. O italiano Vittorio Marzotto foi o conquistador do principado à frente do 225 S.


Em 1956, Juan Manuel Fangio e a Scuderia Ferrari assinaram para disputar a F1 juntos. O argentino de ascendência italiana já tinha três título mundiais: 51, 54 e 55. Fangio venceu 3 dos 8 GPs da temporada faturando o campeonato. A Ferrari venceu 5 corridas no total.

A Ferrari encerrou a década de 50 com o título de Mike Hawthorn, um dos pilotos mais estilosos e excêntricos da Fórmula 1. Mesmo tendo vencido apenas o GP da França, em 1958, Hawthorn superou seu compatriota Stirling Moss, da Vanwall, graças à sua regularidade: foram 6 pódios ao longo da temporada.


Década de 60 — O monopólio vermelho e o Rei dos Dois Mundos
O ano de 1961 certamente foi um dos mais prósperos para Enzo Ferrari. Somente neste ano, a Ferrari ganhou os títulos de pilotos e construtores na Fórmula 1 e também o Campeonato Mundial de Sports Cars, que foi, durante décadas, o mais importante do automobilismo ao lado da F1.

Em 1964, John Surtees, o Big John, foi campeão mundial pela Fórmula 1. Antes disso, ele já havia conquistado o mundo das duas rodas vencendo o campeonato das 350cc de 1958 a 1960 e o campeonato das 500cc em 1956 e 1958 a 1960. Também conhecido como Filho do Vento, Surtees é até hoje o único com títulos mundiais nas duas modalidades do esporte motorizado.

Década de 70 — F1 chega ao Brasil, a inauguração de Fiorano e a Era Lauda
Em 1970, a prestigiada Fórmula 1 ganhava as cores verde e amarela com a chegada do piloto Emerson Fittipaldi. José Carlos Pace entraria para a turma em 1972. Neste mesmo ano acontecia o primeiro Grande Prêmio do Brasil de F1, em Interlagos, São Paulo. Esta corrida não fez parte do Campeonato Mundial, mas no ano seguinte, o GP Brasil foi uma das corridas válidas para o título. Fittipaldi venceu em Interlagos e foi vice-campeão da temporada.
Depois de um acordo bem-sucedido com a Fiat, a Ferrari estava financeiramente bem e conseguiu construir seu tão sonhado circuito próprio para testar carros e protótipos. Em 1972, a Ferrari era a única escuderia da F1 a ter uma pista de corrida própria.

Mas o grande marco da década foi certamente o surgimento de Niki Lauda, uma lenda do automobilismo, o grande piloto ferrarista pós-Fangio.
Os anos 70 também marcaram a estreia dos modelos de carros mais parecidos com os que conhecemos atualmente em termos de design. Foi a partir de 1974 que estabeleceu-se a configuração da dupla de pilotos por escuderia. Neste mesmo ano, a Ferrari tomou uma decisão importante: deixaria de competir no Campeonato Mundial de Sports Cars e passaria a focar apenas na F1. Eis que o jovem austríaco Niki Lauda chegava para guiar o cavalinho rampante.
O carro que ele tinha nas mãos era o 312 B3.

Lauda terminou a temporada de 1974 em 4º lugar, atrás do sul-africano Jody Scheckter, do seu companheiro de equipe, o suíço Clay Regazzoni, e do brasileiro Emerson Fittipaldi, grande campeão daquele ano.


O reinado de Lauda começaria na temporada seguinte, em 1975, quando consagrou-se campeão. Ele foi vice no ano seguinte e voltou a ser campeão em 77, seu último ano com o carro vermelho.


Em 1979, a Ferrari volta a ser campeã do mundo com o sul-africano Jody Scheckter.

Aguarde a segunda parte dessa história. Vamos relembrar as décadas de 1980 e 1990.
Continua…
