O dinheiro ainda não acabou…

No dia 1° de dezembro de 2008, o Jornal A Tribuna (Santos-SP) publicou este meu artigo na coluna Tribuna Livre, quando falei sobre a crise que se abateu sobre o capitalismo, no episódio do SubPrime. Relendo meu texto, tive uma sensação gozada de estar vivendo no futuro… Trago ao presente esta mensagem futurista do passado… Espero que você viaje no tempo, como eu!

E se o dinheiro acabasse?

Quando, em 1989, caiu o Muro de Berlim, e em seguida, em 1991, se desintegrou a União Soviética, o mundo testemunhou sua mais importante transformação geopolítico-ideológico-econômica. Era o fim da chamada Guerra Fria, com a prostração do regime comunista frente ao capitalismo e à democracia, ao mesmo tempo em que o neoliberalismo e a globalização se materializavam na criação da Comunidade Econômica Europeia. Quem viveu as décadas de 60, 70 e 80 respirou aliviado. Era o sinal dos novos tempos, sem o medo constante da ameaça da destruição nuclear do planeta. O império socialista se fragmentou em republiquetas desorganizadas, culturalmente não democratas, que tentam entender até hoje conceitos como propriedade, mercado, liberdade.

Economicamente, as décadas de 60 e 70 resultaram em crescimento, enquanto os anos 80 e 90 foram de estagnação. Na virada do século, um novo fenômeno se apresentava: a sociedade da informação. Numa época onde todos estavam acostumados com as regras do mercado industrial, surge essa nova economia, sem regras conhecidas, numa lógica absolutamente diferente de tudo que existia até aquele momento no mundo. Tratava-se de um novo mundo: virtual, instantâneo, acessível, desconhecido.

O que se seguiu foi um forte crescimento econômico mundial, com destaque para aqueles países então chamados “em desenvolvimento”, chamados hoje de emergentes: China, Índia, Brasil e Rússia. Nunca se viu tanto dinheiro no mercado. A nova riqueza precisava de novos consumidores; assim, cada vez mais pessoas no mundo tinham acesso ao crédito mais facilitado, para poderem comprar mais.

E no Brasil? Quando caiu o comunismo, fomos muito mais influenciados economicamente pelo confisco e pela abertura às importações do recém-eleito presidente Fernando Collor. Sentimos muito mais os efeitos dos nossos problemas, do que dos problemas do mundo. Sucessivos pacotes econômicos vinham calejando o povo e o mercado, sempre desconfiado que logo viria outro saco de malvadezas.

Na virada do século-milênio, enquanto o mundo vivia o nascimento do euro e o ataque às Torres Gêmeas do WTC; no Brasil a esquerda alcançava o poder no Governo Federal, numa espécie de onda que se espalhou por outros países da América do Sul. Vivemos então outro período de desconfiança, imaginando o que seria da nossa economia nesse novo cenário político. E o que aconteceu? Nenhuma grande revolução, com a economia seguindo seu curso normal, alicerçada no governo anterior. A confiança não foi abalada. De lá pra cá, só boas notícias, como a quitação da dívida com o FMI, o superávit que nos tirou da condição de País devedor externo, o Ivestiment Grade e as recentes descobertas de jazidas de petróleo e gás natural. Há muito ainda a se fazer.

E agora? O que aconteceu? De repente, as ações derretem nas bolsas de valores do mundo todo! Este fenômeno está sendo rotulado como uma “crise de confiança” no mercado financeiro mundial. E o que é uma crise de confiança? Ou se confia, ou não. É simples assim. Ninguém confia X%. O que será necessário para se recuperar a confiança? Mudar. E mudar para algo em que as pessoas que perderam a confiança passem a acreditar. Mas essa mudança deve ter algo de radical, ou não convence. Não é assim?

No passado, as economias dos países eram medidas pelo seu lastro em ouro. Esse instrumento de medição mudou, quase que por decreto, para o PIB (Produto Interno Bruto), índice que mede a produção total de bens e serviços de um país. E foi assim: …sabe o lastro em ouro? Agora não vale mais. De agora em diante o negócio é PIB… A regra mudou, e foi de uma vez. E continuamos vivendo bem, obrigado.

Parece que estamos no momento de uma mudança parecida. A regra do mercado financeiro vai mudar para algum modelo que ainda não conhecemos, mudando a economia do planeta, para poder voltar a funcionar direito. E como vivemos na era da sociedade da informação, as novas regras econômicas mundiais deverão obedecer à lógica dos bits & bites; num algoritmo mágico que, por ser virtual, resolverá a equação que hoje não conseguimos enxergar a solução. Não enxergamos, por usarmos a lógica do mundo real. O mundo de ontem.

Alguns teóricos têm dito, há uns poucos anos, que o dinheiro como se conhece hoje, vai acabar. Suas previsões datavam 2015. Pelo jeito, começou. Isso quer dizer que as relações comerciais não serão mais baseadas em troca de moeda, utilizando outro parâmetro para avaliação do negócio em questão. Hoje, o dinheiro já é virtual; um número numa tela: seja no caixa do banco, na internet ou nas bolsas de valores. Há muito tempo, o dinheiro que é transacionado diariamente pelo mundo não existe fisicamente.

Não quer dizer que voltaremos para o escambo (troca de mercadorias). Creio que deverá ser um crédito virtual, uma “moeda social” extensiva a todos, amenizando inclusive o abismo social entre ricos e pobres. Algo como um “Capitalismo Socialista”, profetizado como a Era de Aquário. Como será então viver sem dinheiro?

Continuaremos vivendo bem, obrigado. Portanto, nada de pânico. Don’t worry, be happy.

#Tâmusaê #EconomiaCriativa #EconomiaMultiMoedas #Blockchain

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