Um passeio com “os judeus de Lewin”.

Este texto não é político. Quer dizer, ele tenta não ser. Pelo menos não partidário ou eleitoral. Ele é bem pessoal.

Como em todo ano eleitoral se inicia uma guerra pseudo-intelectualizada sobre a mesma díade democrática. Um versus outro. Vários contra um.

Tentando escapar do mesmo oceano de manifestações teimosas com alguma coisa que entretenha e construa ao mesmo tempo.

Lembrei das aulas de Psicologia de Grupos, Psicologia Institucional e Psicologia Social da professora Sinara (ah como queria que ela tivesse um @ aqui pra vocês se apaixonarem por essa mulher junto comigo), mais especificamente de Lewin e a Psicologia dos Judeus.


Pequeno adendo: Lewin quem trouxe os conceitos de maiorias e minorias como um termo não demográfico e sem representação numérica populacional. Ele já falava de privilégios sem trazer esse termo. O mais bonito da sua escrita é que ele era um judeu, então é possível fazer uma leitura do apelo de algo dentro dele. Acredito que somos assim, um reflexo do que a gente carrega com a gente sempre. Consciente ou inconscientemente.


Retomando a lembrança. Eu nunca fui um bom aluno. Era distraído, relapso, ausente. Mas sempre me fascinei por eventos massivos e o pensamento coletivo, então atentava as aulas de Processo Grupais. Lembro que algo em especial ao conteúdo dos “judeus de Lewin” me chamou a atenção. Alguns deles, de fato, se consideravam uma espécie inferior.

É justificável, não é? Crescer num contexto que te reduz, limita e agride acaba por alterar a própria percepção de si. Tendo que lutar para não cair no conto que querem vender. E nessa conta ainda soma a sociedade passiva e sem luta, por falta de forças ou de conhecimento suficiente.

Judeu. Pretx. Homossexual. Transexual. Gordx. Mulher. Minoria.

Mais de setenta anos nos separam do holocausto mas os “judeus de Lewin” ainda caminham conosco.

Somos eles.

Mais de setenta anos! As relações mudaram. As formas comunicação também. A luta da minoria não.

(Quase) Ninguém é queimado mais (pelo menos não no sentido literal), mas ainda se acha aquela velha discriminação enrustida de ideologia dos bons costumes. A diferença é que o lixão a céu aberto agora é virtual e, infelizmente, a liberdade de expressão é confundida com discurso de ódio.

Disso tudo, o que sobra é aprender com a história. Não deixar que se repita. A maioria vai sempre existir. Os privilégios também. Afinal, todo mundo é privilegiado em alguma circunstância. Isso é discussão pra outro dia.

Mas o principal é não cair no conto vendido por quem não veste teu sapato e nem deixar que digam que ele é feio porque ele não é. É único.


*pequena observação: qualquer comparação a Hitler e o nazismo nesse texto é mera coincidência. Ou não.

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