Esquerda Militar

O conhecimento se constrói e partindo de uma perspectiva que confunde os mecanismos de defesas como desassociado do Estado, naturalizamos a atuação dos militares como sendo sempre conservadora, mas o enfoque na esquerda militar durante o regime militar é o ponto de partida desse texto.

Há militares que resistiram ao golpe?

O golpe foi uma coesão com parcela do serviço militar e não exclusivamente com essa classe, como também com os marinheiros, por exemplo — que foram impedidos de se associarem. A conspiração coercitiva alterava a lógica de se organizarem para reivindicarem os seus direitos e seus posicionamentos a respeito da instituição (vista como inviável a alteração dessa).

A disciplina pregada empregava um falso discurso, pois era acreditado que para acontecer uma reforma ministerial, por exemplo, era necessário primeiro o cumprimento da ordem, ou seja, não poderia ser apoiado nenhuma forma de rebelião, como aconteceu com a resistência de sargentos militares em Minas Gerais.

Isto é, os fatos se sobrepuseram e essas camadas do Estado se organizaram de maneira a se posicionar contra aquele cenário totalitário e é nesse sentido que houve sim uma luta contra o que se estava por vir em 1964 por parte dos militares. Assim sendo, há de ficar uma reflexão sobre a maneira de enxergar esses servidores, não confundindo, associando e apropriando a força do Estado com a dos sujeitos.