A ofensiva do aceleracionismo capitalista
Moysés Pinto Neto
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O que não é outro modo de dizer que a única alternativa é o decrescimento.

A melhor coisa da perspectiva do decrescimento é a sua desilusão, mas é também é a sua pior. Muito compreensivelmente, os proponentes do decrescimento demonstram pouquíssima confiança em soluções políticas convencionais, mas o que me destempera é que essa desilusão muitas vezes namora com a paralisia e ao determinismo. Tomada como alternativa no sentido literal, o decrescimento não pode ignorar que mesmo que a solução não vá passar pelo que é político, vai ter de passar pelo que é humano.

O problema é que uma parte dos proponentes do decrescimento tornou-se tão experimentada na desilusão que para efeitos práticos perdeu a confiança até mesmo em soluções que passem pelo que é humano – entendido acima de tudo como paciência para dialogar, para explicar ao outro a estranheza e o embasamento do seu ponto de vista, para esperar sensatez e civilidade onde parece não haver mais nenhuma.

A experiência falidíssima do PT demonstrou, mérito seu, que não é impossível dialogar de modo minimamente transformador com a população de centro e a direita. O que tenho ardentemente contra os proponentes do decrescimento, e me incluo pobremente entre eles, é a velha e pertinente acusação a todas as esquerdas: a de que conversam circularmente consigo mesmas.

Onde está a voz que está dialogando com o Brasil a respeito do decrescimento, que não seja a Eliana Brum quando não é este o trabalho dela? Onde está a voz que está dialogando com o Brasil a respeito de alternativas de organização social e política, que não esteja marcada pelo hermetismo ou pela militância circular?