do cacau ao mel, ao nibs…
eu já tinha lido uma vez no blog da grande inspiradora Neide Rigo q dá pra fazer chocolate (ou algo muito parecido) em casa com as sementes do cacau. mas achar cacau in natura em Sampa City era coisa rara, só numa gôndola do supermercado metido a grã-fino, caro e esporádico.
então eu mudei o endereço para Ubatuba e… agora não só tenho um cacaueiro no quintal, como minha vizinha tem dois, muito maiores, de variedades diferentes e… ela não gosta dos frutos, ou seja, quando não apodrecem no pé, ela os doa a quem pedir. mas eu só sei disso pq eu pedi. “claro, pode pegar!”
então lá fomos eu, minha pança de 5 meses, o filhote de 4 anos, a escada e o facão. trepei no pé de cacau ao som dos comentários da dona alice. “mas tem certeza? tá muito alto, não? olha essa barriga, hein, menina. mas sua mãe é uma moleca!”. “não se preocupe, dona alice, nasci em sítio, subo em árvore desde q me lembro por gente!”
ela contou q o filho do vizinho tentou pegar alguns q estavam mais baixos, mas qnd viu q estavam cheios de formigas, desistiu. eu insisti. botei tudo nas sacolinhas fornecidas pela dona alice e ainda podei um pé de tangerina na entrada da casa dela, em retribuição.
pra saber se um cacau está maduro, o primeiro critério é a cor. dona alice tinha duas variedades em seu quintal: a q fica com a casca toda amarelinho-gema, menorzinho e mais redondo; e o maior e mais pontudo, com a casca em um tom deslumbrante e mesclado, mistura de rosa cor do céu poente, laranja e amarelo. este último, qnd está verde, tem a casca vermelho-vinho.

o segundo critério é: balançou q nem chocalho, tem q sentir algo solto lá dentro.
botei todos na pia, esfreguei as cascas com água e um pouco de sabão de coco para tirar as formigas e cochonilhas, abri na ponta da faquinha de serra.


os amarelos, q estava com a casca menos lustrosa, liberaram um perfume inebriante, frutado e fresco. virei-os na tigela de lavar salada e esmaguei-os com as mãos para tirar a polpa q revestia os gomos gordos. a variedade avermelhada era menos perfumada, com a polpa mais cremosa. talvez estivessem um pouco menos maduros.
ao provar o sabor da polpa, não tem como não pensar no nome científico da fruta: Teobroma, bebida dos deuses. é uma explosão de doçura e perfume. o amarelo, levemente mais ácido, mistura de fruta e flor, jabuticaba, cabeludinha, goiabada branca, lichia. o avermelhado, mais untuoso, suave, amendoado.
cada variedade foi para dentro de uma panela, q eu tampei e encostei. vamos ver no q dá daqui três dias, quando eles devem fermentar e adquirir cheiro de chocolate… se der tudo certo.

