Hambúrguer coletivo… Ou… Tá pagando minhas contas?

Sabe quando um mendigo te pede dinheiro e você dá com a recomendação “não vai gastar em cachaça, hein?”
Isso acontece, em geral, porque o dinheiro é dado para uma finalidade específica e, como DONO do dinheiro, você só aceita dispor dele desde que cumpra uma função específica.
É o que acontece quando a gente pega dinheiro emprestado, por exemplo. Você precisa prestar contas disso pra quem emprestou.
Sabe quando alguém te critica e você retruca: “Tá pagando minhas contas por acaso?”
Então…
Vários artistas estão se arriscando com o financiamento coletivo. E alguns precisam dar reviravoltas na descrição do projeto para incluir nele o valor da própria mão-de-obra. Isso é considerado até ofensivo por parte de quem colabora — onde já se viu, já quer o dinheiro pra imprimir e ainda quer receber pra produzir? 
De novo, é uma característica das comunidades que se envolvem nesses apoios. Ninguém é obrigado a seguir essas “regras não escritas”. Mas a partir do momento que você levanta uma placa pedindo contribuição, junto com as moedas vão cair uns questionamentos (até de quem nem tem intenção de contribuir).
Faz parte do jogo.
O caso da hamburgueria dos três riquinhos que queriam financiá-la sem pôr a mão no bolso não era uma ideia ruim. Ninguém é obrigado a contribuir e, se desse certo, bom pra eles. Se desse errado, azar de quem botou a grana lá, que assumiu o risco.
Mas, óbvio, a internet se movimenta como manada quando descobre um telhado de vidro. E mais ainda quando tem uma celebridade envolvida (afinal, o cara ganhou prêmio de um programa de TV que é trending topic no Twitter toda semana).
Pra mim, pior do que a ideia em si (que nem achei ruim e no fundo nem tenho nada a ver com isso), foi a “indignação” dos envolvidos em correr pra dizer que “financiamento coletivo não é vaquinha”.
Ah, ou eles não sabem o que é um ou não sabem o que é outro. Porque é sim. Vaquinha é quando você pega contribuição de amigos e conhecidos pra fazer algo — qualquer coisa. Inclusive abrir sua lanchonete. Ou lançar seu gibi. Ou produzir seu filme. E não tem nada de indigno nisso. 
Indigno é ter uma “ideia genial” e diante da primeira reação negativa desistir de tudo e ainda botar a culpa em quem questionou a iniciativa. Além de tudo é desrespeito com quem de fato comprou a ideia. Pra quem nasceu em berço de ouro 10 mil pode não ser nada. Pra grande maioria de nós, é tudo o que poderiam querer.
Tudo isso pra dizer que… Não temos a cultura de financiamento coletivo no Brasil nos moldes americanos. Mas ao invés de tentar forçar a maneira de outros países lidarem com isso, por que não trabalhar ela do jeito que o público aqui seria mais receptivo?

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