O tipo de pessoa que eu quero na minha vida.

Sempre me considerei bem resolvida na maioria dos aspectos: eu sei quem eu sou, do que eu gosto, das minhas crenças, minhas opiniões e sei que tudo isso tá suscetível a mudanças (pra melhor, é claro). São coisas que mudam mas a gente tem plena certeza delas enquanto duram. Até que um belo dia, eu vi que ainda tinha uma questão pendente: será que eu sei o tipo de pessoa que eu quero na minha vida?

Eu não sabia.

É empolgante a ideia de esta rodeado de pessoas o tempo todo e se descontrair com essas pessoas, mas já te aconteceu de você simplesmente parar pra filtrar quem ali é seu amigo de verdade e quem vale a pena ser? Já te ocorreu de você estar correndo atrás de um círculo social que não tem nada a ver com você pra suprir um certo vazio mas não adiantar de nada? Já parou pra pensar se as pessoas que você mantém a sua volta realmente te acrescentam alguma coisa? Não que essas questões sejam como as três peneiras de Sócrates, mas você já parou pra analisar se quem te rodeia realmente te faz bem ou se soma algo na sua vida? Um clássico exemplo é o da pessoa que você quer ser amigo e muitas vezes esse desejo de ser amigo se torna real. Pode dar muito certo, mas também pode dar muito errado.

Você sabe identificar quando tá dando certo ou errado? Você já parou pra analisar o quanto aquilo te consome? Aquele vazio que a pessoa supostamente preencheria continua lá?

Pessoas que valem a pena ser mantidas em nossas vidas não desgastam. Elas ouvem, torcem pelo seu sucesso, tem empatia. Elas também alertam quando você foi babaca ou tá pra fazer alguma coisa babaca. São como estrelas: você pode não vê-las sempre mas mesmo assim elas se fazem presentes e você sabe que pode contar. Infelizmente essas pessoas são poucas e é assustador quando a gente para pra analisar quem é realmente amigo, quem não é amigo e quem só tá ali ocupando espaço.

Provavelmente a pessoa que não é amiga carrega uma energia que seduz. E você percebe que essa amizade não te faz bem quando você tem que fazer esforço pra manter uma intimidade, agradar e fazer parte da vida dela. Ou simplesmente por uma aceitação social. Isso chega num ponto tão extremo que você não sabe mais diferenciar se aquilo é recíproco ou se você simplesmente quer que a pessoa goste de você. Quando você percebe, você não evoluiu. Você simplesmente mudou o seu jeito de ser pra se moldar do jeito que aquele ser que não é seu amigo quer que você seja. Esse tipo de pessoa não quer o seu bem. Ela te traz insegurança, medo e culpa por simplesmente querer ser quem você é. Você vai se reprimir porque quem tá do seu lado provavelmente não vai agradar. No fim das contas, você continua sozinho, aquele vazio não se preencheu. Isso faz a gente se perguntar: quem mais seria meu amigo além dessa pessoa?

A resposta é você mesmo. E se dessa vez você vai se escolher, você tem que abrir mão de quem é tóxico. É difícil, mas vale a pena. Lembrando que isso não é descarte: é seleção natural. Isso dá lugar às pessoas que realmente te querem bem mas passem despercebido, mas sempre voltam. Pessoas que trazem uma energia boa, positiva e que querem realmente o seu bem. Pessoas que não te desgastam, que preenchem aquele vazio e que mesmo na ausência, se fazem presentes. Pessoas que te completam e que fazem a satisfação temporária se tornar permanente.

Citando o clichê Christopher McCandless, a felicidade só é real quando é compartilhada. As pessoas que valem a pena são o tipo de pessoas que você vai querer na sua vida e compartilhar dessa conexão sempre que possível.

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