Uma saudade em forma de tchau
Virou as costas depois de me beijar a bochecha.
Parecia uma despedida comum, antes de um mero intervalo de algumas semanas
Enquanto vivia aquela cena tentava calcular quantas semanas há em um ano
Nunca fui bom de conta
E ela era.
Preferi não perguntar quantas semanas de difícil contato teríamos
…
Chovia
Ela se esquecera de levar o guarda-chuva, mas pouco se importava
Eu sentia frio
O beijo na bochecha já passara e eu precisava pegar meu carro no estacionamento
Eu deveria estar com pressa, mas aquilo era o único sentimento que não me vinha ao corpo
Eu deveria estar tranquilo, e fingi estar
Disse “tchau, se cuida”
Virei as costas e tentei não olhar para trás
Um medo de ver o olhar dela e querer parar o mundo
Segui andando, como quem está certo de que alcançará a certeza
Andei.
Só alcancei o meu carro e um sentimento de vazio.
Há pouco reclamava da saudade que sentia de outra garota, dos sentimentos de ansiedade e todas as outras buliufas desconcertantes da vida.
Nada mais daquilo importava
Eu sentia um vazio, e só.
Minha mãe sempre me disse que é bom sentirmos um vazio: “assim dá pra encher filho”
Mas eu não queria encher nada
Só a minha vida de saudade. Dela.
E ia ser tão bonita quanto desagradável.
– continua –