Uma saudade em forma de tchau

Virou as costas depois de me beijar a bochecha.

Parecia uma despedida comum, antes de um mero intervalo de algumas semanas

Enquanto vivia aquela cena tentava calcular quantas semanas há em um ano

Nunca fui bom de conta

E ela era.

Preferi não perguntar quantas semanas de difícil contato teríamos

Chovia

Ela se esquecera de levar o guarda-chuva, mas pouco se importava

Eu sentia frio

O beijo na bochecha já passara e eu precisava pegar meu carro no estacionamento

Eu deveria estar com pressa, mas aquilo era o único sentimento que não me vinha ao corpo

Eu deveria estar tranquilo, e fingi estar

Disse “tchau, se cuida”

Virei as costas e tentei não olhar para trás

Um medo de ver o olhar dela e querer parar o mundo

Segui andando, como quem está certo de que alcançará a certeza

Andei.

Só alcancei o meu carro e um sentimento de vazio.

Há pouco reclamava da saudade que sentia de outra garota, dos sentimentos de ansiedade e todas as outras buliufas desconcertantes da vida.

Nada mais daquilo importava

Eu sentia um vazio, e só.

Minha mãe sempre me disse que é bom sentirmos um vazio: “assim dá pra encher filho”

Mas eu não queria encher nada

Só a minha vida de saudade. Dela.

E ia ser tão bonita quanto desagradável.

– continua –