[só restou despir a navegação solitária]

[fotografia: ebay]

A fuga limitada 
corta o alcance da vista 
em rota — quase convocada — de se perder 
nas colisões com o vento

permanecer viva é sempre estranho,
anunciação das variáveis indeterminações continuadas,
espaço onde a areia pisada 
fragmenta os passos em seus pontos,
míngua o tempo que corre em outro ritmo — 
um desencontrado ao meu — 
e por não basear a jornada nele, 
sigo ao esmaecimento dos dias ordinários 
em trivialidades do clima, da terra, dos movimentos
conformes, até abarcar os contrários

vagueio entre a espuma que sobe 
da onda do mar desperto frio de manhã cedo
respinga feito chuva que vem de baixo 
tocando a ponta do dedo
se esvai o que resta do espirito
e aparece em desatenção a fragilidade 
do oco da vida.

lembro vagamente das memórias vividas,
algo num trajeto habitual 
de poeira instalada sobre os dias, 
porque tem momento que apenas cabe ao intervalo
da lentidão do provável fazer,
abandonar feridas,
aceitar estilhaços
e seguir,
num penhasco que me arremessa ao instante 
de retornar ao conforto que é não
saber discernir.