[território atemporal]

[fotografia: Sergey Neamoscou. http://neamoscou.tumblr.com/]

Os apressados que me desculpem,
e que se perdoem, 
por não aproveitarem a geografia
da lentidão do atraso,
não acolherem os despropósitos arrastados,
a dissolução de metas e sonhos 
nem a ociosidade desenrolada,
prisioneiros do labirinto de sempre estar em acordo
com a hora do tempo preenchido,
desapercebida escapa a graça 
de ser descompasso, de contar os dias 
pelo esqueleto lunar de observação guardada
num fio de memória solta 
ou ver escorrer o contratempo
que guiou a uma esquina outra,
desvendando o cuidado do descuido do destino
naquelas possíveis seis da tarde desimportantes,
que não medidas por convenção, 
mas vividas foram nos intervalos de sentida palpitação,
afrouxando as obrigações que deslizam ao 
derredor intemporal disperso
de desfigurações sutis em toque cansado 
na pálpebra, enquanto 
perde-se instantes desalinhados à estrada habitual
Esquecer as horas é deleitar na demora,
porque há tanta vida mas há também vida nenhuma
e o mistério de ser efêmero 
aparentando mimética permanência, 
mas devidamente vestido
da inutilidade da existência,
desfolha a imensidão anacrônica de horizonte 
que atravessa os passos dos desligados,
ferindo a razão dos atentos ensimesmados
mas sorrindo ao restante do céu de imprevisão
dos movidos a vapor ou lamento,
e o único alcance é vontade leve sem intento, 
esmaecimento gentil e lento 
dos calmos atrasados 
libertos do tempo dos homens 
em cadência espontânea de 
singular movimento