[queda]

[fotografia: ebay]

vagueio por andar parada
perambulando em esquinas mil 
de fragilidades venosas
entre a carne e o oco do pensar,
confirmo o indicio de oscilação 
confundindo em desvio o que é o quê
confortável ao desconforto que é não saber — 
que é se arrastar ao que surgir — 
e assim estar mais em mim 
do que quando ainda há vestígio de tentativa,

mas a queima da matéria desconhecida,
ainda que seja entranha, exala,
e inspiro inconsciente
até que alcance certo lugar 
que não existe em si
mas é estrutura óssea 
e é também espiritual — 
sem distinguir o horizonte formado

erros e acertos já superados
por nem haver espaço, 
ou somem, ou apunhalados.

sinto algo que abarca como ligações químicas
quase violentas, cortantes 
em amplas explosões orgânicas
não controladas
mas me falta conhecimento
e o coração já bombeia cansaço,
as pálpebras vestem pesadelos despertos, 
esqueço a pele e há a
conexão despida do núcleo do vazio demolido
aos desatinos de mente,
e decepo, 
como quando bêbada o corpo responde
instantes antecipados da razão que o envolveria
e qualquer mediação do real e a ilusão
é interrompida,
distancia inviolável que racha mas não rompe, 
finda na metade do caminho 
porque existe a suficiência das inutilidades
e basta o que é nascido ao alcance da vista

mas há principalmente o que também sinto 
como ligações metafisicas
fio sutil de pensamento que já se constrói destruído — 
ou curta depreciação inacabada — 
permaneço acomodada 
ao cerne do tombo
que arrebata a transcendência 
do raciocínio que flutua, desbota 
evapora, 
e mesmo que quisesse não há possibilidade de colecionar,

instante contornado quando caio em confusão de mim
percebendo a ligação nenhuma
preenchida pela ausência de incomodo
por já não sentir o pensar, 
como poeira na vista que acostuma,
continuamente morre-se antes de morrer
a vida que ainda e sempre
desarruma.