Palestra de Cortella sobre empreendedorismo retrata o que estamos vivenciando na política

Foto: extraída do site social bauru. Fotógrofo: o bem dito.

“Uma oposição bem-feita, qualifica um governo. Uma pessoa que não gosta de mim, mas, defende isso com inteligência e clareza, me ajuda a crescer”. Essa frase foi proferida pelo filósofo, doutor em Educação e escritor Mario Sérgio Cortella, em sua palestra, Qual a tua obra?: inquietações propositivas sobre empreendedorismo, gestão, liderança e ética, promovida pelo Sebrae Paraíba,em João Pessoa, ano passado.

O objetivo da palestra foi contribuir para a construção de um novo perfil profissional, com foco nas competências e habilidades profissionais baseando-se na cultura empreendedora. Cortella explicou o que é ser uma pessoa empreendedora. “É aquela que presta atenção na multiplicidade de ambientes e aprende com a diversidade. Aquele que discorda de mim, me ajuda a ser melhor, pois, o desafio aumenta meu repertório de conhecimento”, explicou o filósofo.

O professor de matemática Cássio dos Anjos menciona a importância dessa palestra para a educação brasileira e que, escritores como Mário Sérgio Cortella e Leandro Karnal, com seus ensinamentos norteiam diversas áreas do conhecimento. “ O livro qual é a tua obra, trata de gestão, liderança e ética. Temas de extrema importância para qualquer profissional. Desse modo, o professor precisa ser um líder capaz de estimular a criatividade, cooperação e empreendedorismo, para atender as exigências da sociedade e os problemas do cotidiano. Atitude esta que Cortella faz muito bem em suas palestras e livros”, explicou, o professor de matemática.

Na ocasião, o filósofo conduziu a palestra em quatro virtudes: coragem, esforço, humildade e diferenças e menciona exemplos do cotidiano, para que se construa, o que Cortella intitula como legado, explanado em seu livro: Qual a tua obra?

Esforço — Para falar de esforço, Cortella relembra uma frase que costuma ouvir com frequência em suas palestras Brasil afora. ”Cortella você tem o dom da palavra”, e retruca. “ O dom da palavra soa estranho, pois, há um esforço para chegar até aqui e ministrar essa palestra. Empreendi minha carreira, minha atividade como escritor e docente; li 10 mil livros para escrever 33. Quer me elogiar? Diga que falo bem”. Desabafou o professor.

Coragem — Exemplifica duas situações de forma bem-humorada. Qual o segredo da vida? “A vaca não dá leite, você tem que tirar”. Você levanta às 3h30 da manhã, entra no curral, senta no banquinho quebrado, amarra as pernas de trás e o rabo da vaca, para finalmente, retirar o leite”. É preciso ter coragem para conquistar seus objetivos”, refletiu Cortella.

Além disso, mencionou três personalidades que contribuíram de forma revolucionária para o desenvolvilmento da tecnologia: Bill Gates, Mark Zuckerberg e Steve Jobs. “ Mesmo não tendo concluído Harvard, observamos o esforço, determinação e empreendedorismo envolvido”, explanou.

Humildade — Mencionou Paulo Freire para explicar essa virtude — que apesar de ter 43 títulos de doutorado é um exemplo de humildade. Cortella definiu humildade por meio de um jogo de palavras genuíno: “Aquela que sabe que não sabe tudo. Aquela que sabe que não é a única que sabe. Aquela que sabe que a outra pessoa sabe que ela não sabe. Aquela que sabe que ela e a outra pessoa saberão muita coisa juntas. Aquela que sabe que ela e a outra pessoa, nunca saberão tudo que pode ser sabido”, brincou. Além disso, explicou a diferença entre humildade e subserviência.

Diferenças — Cortella cita uma frase do pensador Leonardo Boff. “Um ponto de vista é a vista a partir de um ponto”, para explicar que é necessário conviver com pessoas que divergem de seus ideais para que se aprenda com outros pontos de vista. O Brasil vive hoje uma crise de reflexão coletiva, vivemos uma cultura de ódio, o professor Leandro Karnal escreveu um livro com esse tema.

E por último, Mario Sérgio Cortella adaptou um ensinamento do monge britânico Beda sobre três caminhos para o sucesso: “Ensinar o que se sabe configura-se uma generosidade mental. Praticar o que se ensina — coerência ética. Perguntar o que se ignora — humildade intelectual”, conclui o professor.

A conjuntura destes pensamentos representa o que Cortella chama de legado, propósito que exige coragem, paciência, esforço e capacidade de aprender com as diferenças para se construir uma grande obra.