Eu, eu mesma e meu signo

“A culpa, caro Brutus, não está nas estrelas, mas de nós mesmos, que nos rebaixamos ao papel de instrumentos (…)” — Ato 1, Cena 2, Júlio César de Shakespeare.

Sou escorpiana. E como dita a astrologia, oito ou oitenta, misteriosa e piamente honesta. Diferente da minha irmã libriana, que é indecisa e romântica. Mas nós duas ficamos para atrás quando se fala sobre paciência, coisa da minha prima taurina. A astrologia têm sido pauta nos bares, comunidades virtuais, conversas entre amigos e recém conhecidos, como nunca antes. Deixamos que ela defina nossa primeira impressão sobre alguém e a utilizamos como um manual de instruções para iniciar qualquer relacionamento. Mas por quê isso se daria?

A juventude se agarra a tendências na busca de sua identidade, inclinando se a coisas que as façam acreditar em algo, a famosa sensação de pisar em chão firme. Nessa procura, um diagnóstico sobre quem ela é pode parecer atrativo, e muita das vezes eficaz. O conforto de saber quem você é e como se relaciona com o outro torna a vida mais fácil, e deixa o cotidiano mais digerível.

Mas basear-se no signo já não é suficiente para se conhecer. É preciso saber ascendente, vênus, plutão, meio do céu e decorar todas as linhas do seu mapa astral. É comum colocar todas as suas necessidades sob as qualidades do outro signo e culpar a lua que estava em Gêmeos pelo seu erro da semana. Talvez não seja saudável, mas o que é saudável hoje em dia? Açúcar engorda, sal aumenta o colesterol, dormir muito diminui a produtividade, metade das coisas que fazemos pode atrair câncer. Tentar se autoconhecer não pode ser tão nocivo.

No fim, estamos todos perdidos. Somos imbecis em atribuir tantas coisas a astrologia, mas humanos em empenhar-se nessa jornada de conhecimento de si próprio. Qualquer coisa é válida para melhorarmos como indivíduo e visualizar o futuro com um pouco mais de segurança. Por via das dúvidas, os céus que se virem.