Instantes

Me deparo contemplando o céu, em meio tantas preocupações. Mais uma vez, debruçada na janela pensando sobre a beleza e simplicidade do momento. Quantas vezes deveria ter feito isso? Quando o faço, encontro uma paz que não carece de soluções, não existem perguntas e nem necessito de respostas. Me encontro no momento, na beleza da escuridão que reflete a luz do Criador. O vento que sopra meus cabelos, me aquece e acalma, como um abraço que acalenta, como um sorriso que encanta.

Neste momento, não existem limites, não existem horários. Há apenas o instante, as estrelas, a lua contando suas histórias. Eu sou só uma criança, sentada, ouvindo mais uma vez o meu conto preferido, debruçada na janela. Me torno apenas uma criança, tão pequena, contemplando a grandeza do mundo. E como é grande, infinito e cheio de possibilidades.

Mas eu não sinto medo, não dessa vez, não dessa forma. Me sinto honrada com tamanha grandeza, em fazer parte dessa dança de astros. O mundo é tão grande, não nos afastemos, diria Drummond, vamos de mãos dadas. De mãos dadas com os sonhos, com os instantes esquecidos, com os detalhes incompreendidos. Olhar o céu, por pura contemplação, é necessário, é puro, é trazer novo ânimo a alma.

É acreditar outra vez nas possibilidades que haviam sido descartadas, sonhar de novo com ideias ilusórias, ao menos nesse instante. É se esvaziar, se encher do que importa, se encher de quem conduz tudo o que há, toda a beleza do céu, todo o amor em mim.

Me debruço sobre a janela, continuo sendo eu, mas vejo partes que antes desconhecia (ou ignorava). Contemplar o céu é contemplar a mim mesma, é vislumbrar a boa obra em mim. Quem iria imaginar? Tenho o criador do céu em mim, tenho a beleza da criação correndo em minhas veias. Nesse momento não quero correr, quero ficar, continuar contemplando. Nesse momento, quero compartilhar o que aprendo ao olhar no céu. Ao olhar em mim.

    Sarah B. Souza Nascimento

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    um coração desenhado de poemas