ele tinha uma bela curvatura no queixo, era simétrico, e olhos inquisitores. havia a sociopatia, bem sabia. veio-me com um assunto banal, de ideologia. eu, no início, soava otimista, com um tanto de ambição.

perco-me nos meus sonhos sempre, nunca o sei. e a atmosfera parece-me a mesma. perdida.

entretanto há ele, e intriga.

vamos aos fatos: não pode sentir.

disse-lhe: pensando bem, é triste.

e ele: é sim.

e nada havia.

desejo ler sobre os heróis não corrompidos e fugir. desligar-me do que é, pois não há.

deus, não há nada aqui. — eu disse.

nunca houve. — ele respondeu.

o que mais me incomoda é a falta de empatia. — disse-lhe antes de saber de sua condição.

empatia? — e então riu.

havia tempos em que eu não sentia. sou duma indefinição cômica e percorro aborrecida. eu sou estática e sou. eu me movo como sopro, eu morro.

há de ter consciência e tem a decorrência. é tudo vago, inclinação. eu falo e escolho, depois recorro ali, após praguejar.

ele me toma por alvo, bem o sei. por entretenimento; e então o tédio e deixo de existir.

ele me tem por vaso, semente.

ele não sente.

deus, há solução para os ensejos?

há felicidade que consome e permanece?, pois eu preciso, sou sopro.

arranha-me a condição de existir fluindo em mim a vida. não escolhi, porém sou.

tem os que sentem, eles não sabem e são. eles não sabem, perdidos e são. eles vivem portanto são.

não há como fugir pois há o desejo e a frustração.

lembre da abdicação dos sentidos e o fruto colhido. o fruto que come, te alimenta e te mantém.

e as pessoas extremas em beleza — menciono pois as venero. beleza que vejo, não comum e singular. mas é vago. é leviano porém me agarro. me satisfaz admirar. mas há a frustração. idealizo e nada há.

o que me convém é (e eu não sei).

saberei?