na minha juventude inquieta me proponho a observar as minhas turbulências vãs de quem não sabe viver ou de quem não toma parte à própria objeção. há esses objetos seculares que me causam comoção, ou o nascimento de vênus. aí há um calabouço de insinuações efêmeras, digo, espasmos de remorso, ao todo sem solução. vamos ao surrealismo, e também à psicologia do eu. as visões de um padre enfermo que tem uma iluminação divina. uma prostituta em seu último suspiro acredita-se salva e pura, quase sã. esses suplícios internos de redenção parecem sublimes. no teu corpo que lentamente se esvai há a conjugação de. de algo que acumula nos dias, uma falta de. sempre parece faltar algo, e também uma visão de um eu único, individual, pois é de dentro para fora que se vê, e nada além de alusões e suposições inconsistentes. e há esse desentendimento entre os seres, o amor e a ira, a inversão dos valores e o costume.

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escrevi isto no trem. não faz sentido aqui e não fez sentido lá, era só angústia. talvez o ato de perder-se faça parte do encontro. você se perde tanto que acaba por compreender teus desencontros, apenas parte do rumo, dissidências de caminho.