seria um caminho desvendado?

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ontem, ou anteontem, não posso discernir, o tempo me confude, mas então… dia desses, pensei sobre os meus dias. esses dias que passam e nós vivemos de forma impassível, dum vazio indefinido ou cheios de angústia. pensei sobre o meu caminho, a minha vida. é certo que um dia vou me deixar por aí, por todos os lugares, itinerante, pois é preciso. mas veio-me: quando? daqui a cinco anos, quando terminar as dependências da vida, juntar um dinheiro e ir-me. eu saio, fujo, me acabo. vou para todo lugar. com uns trinta anos, talvez. mas aí eu penso na morte, na vida, um mistério, e um dia eu vou desaparecer.

penso, então, para que essas dependências? para que este caminho distorcido se só um fim eu tenho e, visivelmente, não tem nada a ver com isto aqui, com o agora em que eu vivo?

se não me sinto satisfeita nos meus dias, distancio-me do meu propósito, me afasto do meu caminho, pois sou infeliz. o universo dá notas, são os avisos, as constatações. ou talvez seja apenas parte do caminho.

quando me vi pequena, com meu corpo, quando vi meu corpo e o compreendi, e cuidei, eu me vi, me habituei, senti-me materialmente de forma intensa. respeitei o tempo, os passos, a gradualidade do meu corpo, da minha mente, estive plena. senti eu própria e o mundo.

depois veio o pensamento de descontememto diário que eu tenho e meu egoísmo, pois vivo. adentrei neste corpo material, num momento exato quando energia; mas poderia ser outro, matéria limitada de expressão, flor, animal ou planta, porém fui eu. preciso agradecer. eu existo e há o que aprender, há o que encontrar, há o que sentir.

não estou satisfeita com os meus dias. não há nada. é, então, o universo a me mostrar que não estou no caminho a ser seguido. não é este o caminho, esta vida. ou terminarei do modo mais vazio possível — que já pressinto: presa num sistema entediante e corrompido.

tomar notas: propósito do ser individual que nada mais é que a paz interior, dum modo genuíno, o despertar de si sem ambições ilusórias da modernidade. o eu para eu, cada um para a si e, instintivamemte, para os outros. os caminhos são diferentes, mas para todos um mesmo fim.