Isso é um desabafo e um grito de compaixão. Mas antes de ser meu, é muito mais do outro. É da sociedade e mais que isso, do cristianismo.

Acontece que, outro dia, conversando com uma pessoa, ela me contou que tem um primo que é gay e que o pai não tem mais um relacionamento com o filho por isso, por ser contra sua fé. Fé essa que segundo ele é em Jesus. Eu fiquei pensativa sobre isso e sobre o que Jesus teria feito. Sobre o amor, sobre compaixão, sobre o significado de PAI. Isso me levou também a pensar sobre o casamento, tanto do ser humano quanto de Cristo com a igreja, sabe o famigerado na “saúde e na doença, na alegria e tristeza”? Então, o mesmo deveria valer para o relacionamento familiar, afinal filho é fruto do casamento. Na dificuldade, por mais controversa que seja, é quando de fato nossa fé é testada. E foi nela que Jesus curou, salvou e ensinou o amor.

Sempre que eu falo do evangelho pra alguém que não o conhece, a pessoa não me julga, mas julga a religião, julga os atos da igreja, os sensos comuns. A igreja tem um papel essencial no Reino, mas se tem algo que ela deve à sociedade é desculpas por muitas vezes ser o que Cristo abominaria. Então, eu sempre que posso, peço desculpas se a igreja em algum momento ofendeu. São teologias focadas em apontar o pecado do outro e se mostrar mais certo que fulano, enquanto tem tanta gente sedenta do evangelho e do amor de Cristo, tanta gente passando necessidade, tanta gente que só precisa de um “vamos caminhar juntos”. O convencimento do pecado não vem de nós, mas do Espírito Santo. E se isso não é suficiente, o que mais seria?

“Entretanto, tu és o nosso Pai. Abraão não nos conhece e Israel nos ignora; tu, Senhor, és o nosso Pai e, desde a antiguidade, te chamas nosso Redentor.” Isaías 63:16

É o mesmo caso de meninas que engravidam novas e antes de casar e o pai simplesmente corta relações pela “desgraça” da filha. Ou então se o filho(a) não vai bem na vida acadêmica/profissional, ou outra coisa. Sério, quando vamos parar de sermos juízes? Estender a mão, procurar entender POR MAIS DIFÍCIL QUE SEJA, não significa apoiar aquela atitude ou ser conivente. Isso é ser apenas PAI. É aquilo que Deus faz todos os dias com TODOS NÓS, sem exceção. Por mais santo ou queridinho de Jesus que você seja, todos pecamos e Deus continua sendo Pai, continua sendo bom em todo tempo. Ele que é Deus, que é justiça, continua sendo Pai. Então porque alguém ainda guardaria rancor? Rancor gera trauma e ninguém mede o quanto. O mais triste é ver isso acontecer dentro de meios cristãos e não ver ninguém ocupando o papel de Jesus ali “vá e não peques mais…” e todo erro é esquecido e perdoado. As consequências se perpetuam, mas é algo que cada um tem que lidar.

“Pai para os órfãos e defensor das viúvas é Deus em sua santa habitação.” Salmos 68:5

Deus tem tocado muito no meu coração ultimamente pra falar sobre o amor dEle para as pessoas que foram machucadas pela igreja e/ou por falsas doutrinas, por falta de amor, de compaixão, de perdão. Ele tem me chamado pra ser luz e pra mostrar pras pessoas que Ele é o único caminho. Eu adiei isso por muito tempo na minha vida, mas isso me toca de um jeito que eu não sei explicar.

Todos pecamos e só somos salvos pela graça do Pai. Basta apresentar Cristo às pessoas e deixar que Ele faça a transformação. É diária, é um processo. Até hoje estou sendo transformada, e graças a Deus por isso. Não adianta tentar enfiar sua verdade na cabeça de alguém, basta que você ame, cuide e faça a diferença. Deus faz o resto.

A minha mensagem é só isso:
1. PERDOE, esqueça, faça pelo outro o que Deus já fez por você um dia e continua fazendo, ou até mesmo que outra pessoa fez.
2. Mesmo que você não se sinta perdoado por ter fracassado com alguém, por ter machucado alguém, ou o que quer que seja, saiba que Jesus te ama, e te perdoa no seu arrependimento, e somente Ele pode fazer tudo novo. Confia.

“Nós não devemos expor nossa identidade pra mostrar pro mundo o quão perfeitos nós somos, mas o quão PERDOADOS nós fomos!”

Liberar perdão é essencial na vida do cristão, e é como dizem “quem perdoa primeiro é mais feliz”. Que implantemos a cultura do Reino, a cultura do amor de Cristo uns para com os outros.