Florestania e a tecnologia

Sarah Santos
Jun 3 · 3 min read

Por: Ctrl PUC, Larissa Santos e Sarah Santos

Trailer oficial do documentário

O documentário “Amazônia-o despertar da florestania” dirigido por Christiane Torlone e Miguel Przewodowski, estreou no dia 07 de maio, “nos envolve em uma reflexão que tenta resgatar o código genético de nossa identidade nos perguntando: ‘Quando foi que nós esquecemos que o Brasil tem o nome de uma árvore? Que o que corre em nossas veias não é sangue, é seiva?’”.

A Florestania é a nossa “casa comum”, a Terra, que sofre com a degradação ambiental brasileira desde o século XX. Os diretores e seus convidados relatam sobre a perda dessa riqueza natural. Fernando Henrique Cardoso contou sobre a destruição do meio ambiente: “é o cúmulo que um país que tem uma riqueza fantástica que são essas florestas. Que ele seja poluidor porque queima floresta. Não é poluidor porque está emitindo CO2 das fábricas. As fábricas brasileiras são mais recentes, poluem menos. Porque queima floresta ou seja é uma coisa absolutamente insensata. Segundo, mata índio”.

Christiane Torloni e Miguel Przewodowski, contam ao Ctrl PUC suas inspirações para retratar sobre algo tão simbólico:

A minissérie “Amazônia-de Galvez a Chico Mendes” , Rede Globo (2007), narra a história do Acre. Christiane Torloni fazia parte do elenco e, assim, percebeu a importância de: preservar, documentar e lutar pela democracia e cidadania. Além disso, como diz no documentário, “amazonizar” a população.

O manifesto “Amazônia para Sempre”, conteve mais de um milhão de assinatura, foi escrito por Juca de Oliveira que defende a floresta como patrimônio nacional com sua utilização consciente para preservar o meio ambiente e seus recursos naturais.

A diretora também relatou ao Ctrl PUC um pouco mais sobre a importância do filme:

A atriz, em entrevistas fala sobre a dificuldade de conseguir resgatar materiais antigos para acrescentar ao seu documentário “o que deu mais trabalho, realmente, foi conseguir arquivos, memória, porque infelizmente nessa ´degringolação´ da nossa educação, da nossa identidade, nós fomos surrupiados da nossa memória e aí nós ficamos com um filme durante um ano e meio porque a gente não conseguia recuperar imagens que são essenciais e são do Brasil”.

Registros do passado

Documentos históricos são registros do passado para retratar a memória de um país, de uma pessoa, de uma cidade, de um povo e de uma cultura. O longa que possui 90 horas de material bruto, serve hoje como ferramenta de informação.

Apesar de ter encontrado alguns registros online, Christiane Torloni não podia usar determinadas imagens sem autorização e, na maioria das vezes, ela não as conseguiu. O que nos faz questionar a importância de repassar os registros e os conhecimentos para frente.

Hoje, a internet é o principal meio de busca para estudo, também é o mais fácil e democrático. Dessa forma, trabalhos como o documentário “Amazônia-o despertar da florestania”e seu site é um registro para o futuro. Uma vez que ficará salvo facilitando a pesquisa de outros interessados no assunto. Ainda temos problemas para achar diversos registros históricos, isso porque muita coisa se perdeu com o tempo. Assim que o século XXI virar história, será mais fácil saber como eram os dias atuais ou até resgatar alguma memória, pois tudo é registrado e salvo pelas tecnologias em uso atualmente. E, uma vez na internet, sempre estará na internet.

As raízes nacionais estão sendo perdidas com a falta de recursos históricos e a perda dos poucos existentes. Esse documentário não é apenas para ser exibido nos cinemas, mas sim, um objeto de estudo para a posteridade.

    Sarah Santos

    Written by

    Estudante de Jornalismo PUC-SP.