Universidades Brasileiras e o Déficit de Formação de Líderes para o Futuro

Nossas universidades, em maioria, a cada ano que passa formam cada vez menos jovens líderes em diversas áreas e isso prejudica o avanço do nosso país.

Já é rotina: O aluno chega na sala em horário combinado, senta, abre seu caderno ou notebook e ouve o professor ou a professora discorrer sobre o capítulo do dia. Faz algumas perguntas, chega até a tirar algumas dúvidas… Acaba a aula, fecha seu caderno, se encaminha para a próxima aula em que isso tudo vai acontecer novamente ou vai para a casa.

Todo dia a mesma rotina de ‘aprendizado’ — Fonte: Google

Nas provas, é simples, pra garantir aquela ‘nota boa’, geralmente o aluno não reflete sobre o conteúdo, mas sim escreve o que sabe que o docente gostaria de ler ou a visão dele sobre o assunto ou até mesmo a fórmula de calcular que ele mais utiliza — mesmo que ele mesmo já tenha descoberto uma metodologia própria mais simples ou mais rápida. E assim caminham as universidades brasileiras. Com baixíssima inovação e estímulo aos seus alunos. Estímulos para resolver problemas da sociedade— e até mesmo problemas da própria universidade.

Não importa a área, a mesma história se repete — Fonte: Google

Mas isso também não é ‘culpa’ do professor. Ele quando fez sua graduação também foi ensinado assim e isso é tido até hoje como o certo, como a forma mais eficaz de se ensinar — ignorando que pessoas diferentes aprendem em velocidades diferentes e tem métodos diferentes de aprender, pensar e absorver conteúdo. A maioria dos professores acabam sendo doutrinados dessa forma e os que tentam quebrar esse paradigma principalmente se tratando de universidade — são de alguma forma ‘marcados’ por outros do grupo. Então qual o nosso problema?

Quais são nossos problemas na formação de líderes? — Fonte: Google

Nosso problema é nossa cultura de educação.

O brasileiro em média lê pouco — de 4 a 6 livros por ano — vai pouco a museus, teatro e cinema e prefere gastar seu dinheiro com roupas e eletrônicos ou atividades não necessariamente culturais.

Nosso problema é que o líder ainda é visto como chefe. Consideramos que seguir o padrão é o caminho natural e mais certo a se tomar.

Geralmente quando uma liderança — mesmo que ainda na universidade se destaca — ela tenta ser abafada pelo grupo que a cerca ou esse indivíduo encontra mais dificuldades que o normal para exercer sua liderança, pois muitos ainda se sentem incomodados com isso. Claro que isso também depende do estilo de liderança e das características que esse indivíduo possui.

Nosso problema é que a universidade nos ensina muito a repetir e pouco a pensar.

Repetir fórmulas. Repetir trechos de textos. Até nossas provas são repetidas. Eu mesma já fiz uma prova que tinha mais de 5 anos e só mudava a ordem das questões. Prova essa que já era mais do que ‘manjada’ pelos ‘veteranos’ do curso. Todas as vezes que eu fui estimulada a resolver problemas da vida real ou foram iniciativas da minha parte ou foram através de atividades extraclasse como: Movimento Empresa Júnior, Equipe Esportiva, Enactus, Diretório Acadêmico e afins. Inclusive, já tomei muita falta e olhar torto por participar dessas atividades, que alguns professores ainda alegam “ser perda de tempo”.

Nosso problema é que as universidades carecem de disciplinas práticas e a maioria não tem disciplinas como empreendedorismo em sua grade obrigatória ou como eletiva.

Você pode pegar a grade curricular da maioria das universidades que você conhece… Poucas serão aquelas que tem matérias práticas — como robótica, práticas em laboratório ao estilo Maker — ou disciplinas como empreendedorismo. Essa carência impacta — e muito — na formação de estudantes que são capazes de aliar seus conhecimentos para criar soluções, por mais simples que sejam. Fora o fato de que cada graduação acaba ficando no seu “próprio quadrado” e a mistura entre pessoas de graduações diferentes ou áreas diferentes não costuma ser estimulada nem pela própria instituição, nem mesmo pelos professores ou ‘cultura do curso’. O que impede que se tenham óticas diferentes para um mesmo objeto de estudo.

Nosso problema é que temos aulas demais, mas aprendemos ‘de menos’.

Nossa grade é lotada de aulas, de duração de em média 2 horas. Chegamos a ficar mais da metade de um dia dentro de sala de aula, parados, ouvindo e escrevendo mecanicamente. Enquanto em universidades dos Estados Unidos — como Harvard — as aulas tem menor duração e o aluno é estimulado a participar de atividades extraclasse [para contar pontos para sua aprovação], além da produção de resumos e participação em grupos de pesquisa e voluntariado. Ou seja, aqui no Brasil nós ficamos muito tempo em sala de aula, mas aprendemos muito pouco com isso. É sabido, via artigo científico que nós humanos, em média, só conseguimos absorver de verdade as informações nas primeiras 3 horas de estudo, e que depois o cérebro entra em ‘modo de estafa’. Então qual a motivação de se passar em média 6 horas dentro de uma sala de aula, ouvindo conteúdo atrás de conteúdo?

O Brasil precisa formar bons líderes para que possa sair da crise e se desenvolver mais plenamente.

+ líderes = + avanço — Fonte: Google

Mas calma, nós temos algumas esperanças brasileiras. Os cases da UFRJ, FGV RJ/SP, Unicamp, Insper, UFMG, USP, PUC-Rio, UFABC, UFV e UFBA.

Essas universidades de alguns anos para cá são as que mais tem tentado se remoldar para serem universidades de ponta na formação de bons profissionais e bons líderes. Desde a criação de laboratórios de inovação, atuação verdadeira de núcleo de inovação, inclusão de matérias de empreendedorismo em suas grades, criação de espaços maker, estímulo a times de competição (como times de robótica, aeromodelismo, barco solar, carros elétricos), experimentação de novas tecnologias em seus campus, como IoT, energia solar e afins, criação de competições — com recompensa — para jovens empreendedores, além da desburocratização para formação de novos grupos na universidade, como hubs de inovação, grupos de estudo, grupos de voluntariado e similares.

UFV, USP, FGV-Rio e UFRJ, respectivamente — Fonte: Google

Já está mais do que na hora de nossas universidades e a comunidade acadêmica ‘acordarem’ para o fato de que o futuro já está na nossa cara e se continuarmos com um modelo de educação digno do século IX, tratando todos os alunos como tendo igual método de aprendizado e tendo uma hierarquia exacerbada entre professores e alunos, nós vamos continuar a retroceder em todos os rankings possíveis e continuaremos no mesmo ponto em que estamos. A universidade tem que parar de formar ‘máquinas reprodutoras de movimentos, trechos e pensamentos’.

Futuros profissionais devem ser incentivados a pensar, não somente a reproduzir conceitos e fórmulas — Fonte: Filme Tempos Modernos | Charles Chaplin

Já passou da hora de repensarmos nossa metodologia de ensino, tanto a nível da pedagogia, nos anos que precedem a universidade quanto a nível da andragogia, que se relaciona ao ensino de jovens adultos e adultos. Observar e implementar o que está sendo feito de bom dentro e fora do país.

Stanford, Singularity University, MIT e Harvard, respectivamente. Algumas das universidades de ponta e inovadoras fora do país — Fonte: Google

Eu tenho a esperança que essa realidade pode mudar e que a base desta mudança são os jovens líderes de diversas áreas que já entenderam que a educação é a chave para transformar pessoas e que são essas pessoas que irão transformar o mundo. Tenho a esperança que mais docentes se darão conta no impacto positivo de metodologias inovadoras orientadas para o desenvolvimento não só do aluno como profissional, mas como cidadão transformador de sua realidade.

A educação é a saída. Se você gostou do texto, compartilhe com seus amigos e professores. Vamos reunir todos para essa discussão. Novos horizontes exigem novos caminhos. Seja parte da mudança.

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