Confessionário

Às vezes tenho o péssimo — ou talvez bom — hábito de pensar demais sobre as coisas. Veja bem, acontece desde sempre. Acredito que desde que aprendi a pensar. Isso também se aplica ao fato de: me olho muito em espelhos. É quase narcisista e meio impulsivo. Mas na verdade, um dia uma noção veio a mim involuntariamente: era mais como Dorian Gray.

Peguei-me no ato de passar um bom tempo olhando meu reflexo em vidros, espelhos ou qualquer coisa que reflete minha imagem, esse invólucro que vim ao mundo. Um olhar estrangeiro veria nisso um ego bem grande. Mas aí está o negócio, sabe? Quando olho pro meu reflexo em algum lugar, entro em mim de uma forma bem estranha. Não estou vendo apenas um reflexo, mas tento ver algo a mais. Às vezes não sei bem se passei o batom direito, porque estou lá vasculhando, perscrutando. Toda noção parece vaga, rasa demais pra um lugar que não sei que profundidade tem. Será que a gente bloqueia o entendimento de nós mesmos, assim, sem perceber ou não sabemos realmente?

Possibilidades! Pos si bi li da des! Quantas delas? Sofro. Imagino ali, naquele reflexo, quem eu poderia ser seguindo as infinitas possibilidades que existiram até chegar neste presente dia. Quando encontro um defeito ao ver minha imagem, parece-me não ser nada estético, é algo mais profundo que isso. Dorian Gray não era mais profundo que a estética? O que esse corpo é? Sou um monstro?

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