Eu não acredito que te conheci

@shelby.cragg

Minha mente oscila entre a razão e a emoção. Preciso de foco. Olhar as placas, seguir o caminho certo, pegar a mala. Respirar.

Logo que segui pela porta de desembarque eu o avistei. E congelei. Por sorte havia pessoas passando do meu lado e impossibilitaram meu caminho, fazendo-me aguardar até encontrá-lo.

Então ele me viu.

E deu um sorrisão. O moço que fala que não sorri mostrando os dentes. O menino que eu sinto a presença de longe. E que agora eu ia sentir no meu cangote.

Como toda racional, eu não podia ficar ali impedindo o fluxo. Forcei-me a dar os passos até ele. Não consigo ter certeza se eu sorria, acredito que minha face devia estar retorcida numa careta.

Ele me puxou ali mesmo. No meio do aeroporto. No meio das pessoas. No meio do caminho. Mas eu o guiei para o canto, alegando precisar dar passagem.

E nos abraçamos. E abraçamos. E abraçamos.

Havia braços envoltos em mim! Firmes. Quentes. Pulsantes. Que agiam por outra mente, não mais pela minha.

O peito dele subia e descia de encontro ao meu rosto e eu encaixei ali.

Como minha imaginação era insignificante em comparação ao real. Eu nunca poderia ter montado esse momento em tantos detalhes, com todo o calor e a energia que conectava um ao outro.

Eu estava com medo.

Medo do desconhecido. Medo do sentimento. Medo de você. E de mim também.

Porque a razão geralmente toma conta. Mas quem me levou até você foi a emoção e a partir de agora ela que manda — eu não dou mais conta, afinal eu estava perdida em seus braços.

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