Aug 31, 2018 · 1 min read
“Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra.”
Adélia Prado
Sabe quando a mãe diz “Não faz isso, menina, que Deus castiga!”? E eu pensava: “Mas castiga como? Joga uma bigorna, lá de cima, bem na minha cabeça? Bota caraminhola na mente da professora para ela me dar nota ruim?”
Nada disso. Adélia Prado matou a charada pra mim, aquela danadinha. Deus me castigar é facinho de eu perceber, e sempre foi — eu só demorei a notar que era fácil. Mas é batata: de repente, assim sem mais nem menos, eu fico sem poesia. De repente, tudo fica tangível demais, simples, fotográfico. Tudo fica besta. Tudo fica denotativo. E é tão ruim.
