Feminismo não é peito de fora

Hoje uma mina foi mandada embora de uma agência porque contou que tava grávida.

O responsável? Uma mina, a chefe.

Disse que não tinha culpa dela estar grávida e que não ia perder tempo com alguém que ia render menos e deixar de dar resultados pra empresa.

Não preciso dizer que isso é comum.

Não preciso dizer que isso não faz sentido.

Mas precisamos falar sobre as mina não que tão se vendo como irmã. Cara, até quando a gente vai ter mulher que não entende o problemão que é nascer mulher?

As que nunca tiveram problemas e acham que conseguiram tudo por mérito, sem teste do sofá nem sofrimento, cara, percebe que você é uma das poucas? E que isso não devia ser só seu?

Se tem mina que não teve as oportunidades que você teve, é porque além de a igualdade não existir, as outras mina não tem os contato que seus pais tem. Elas não foram indicadas por alguém de confiança e subiram na vida.

Elas tão na raça.

Eu sou branca, classe média, vim do interior, fiz faculdade particular e os trampo que eu fiz, foi meus contatos mesmo. Fui crescendo profissionalmente e vazei pra capital. Depois disso foi tudo na raça. Errando, pedindo desculpa e fazendo de novo. Eu achei difícil. Eu acho difícil. Vez ou outra até reclamo de não trabalhar na minha área ou de não ter alguém pra me indicar e a carreira subir.

Tem mina que não teve metade desse parágrafo.

Tem minha que não tem metade do salário.

Tem mina que não tem trampo porque tem um bebê.

Tem mina ainda achando que feminismo é marcha na paulista com os peitos de fora, post de abuso no uber e um monte de gente insatisfeita com a sociedade. Se você quiser pode ser também. Ele é o que o feminino quiser que seja. É pra isso que de existe.

Mas feminismo também é a gente lutar por direitos iguais.

Salários iguais.

Tratamentos iguais.

Oportunidades iguais.

Vamos falar mais sobre feminismo.

A gente precisa muito se apoiar, se ensinar, se educar.

Porque se a gente não fizer, ninguém vai.