Vou-me embora e não hei de entristecer-me.

Eu quero morar em uma casa no campo e esquecer que vocês existem. Sentir o cheiro da grama após uma tempestade, e nem mesmo recordar como era ruim a atmosfera da intimidação. Sentar num tronco de árvore, olhar para a imensidão e nem conseguir reparar que o horizonte está ali; deitar-me na rede do quintal e fingir que nunca pus-me a chorar até dormir. Quero sentar-me na madeira gasta da escada de nossa casa, esperar sua chegada e pular em teus braços quando finalmente retornar. Lembrar que aqui não sou escrava do preconceito, que não devo satisfação por meu cabelo ser curto e que não terei de temer o olhar malicioso nas ruas.
O desejo é tão imenso que quase consigo sentir a paz; sentimento tão bom que até sou capaz de dizer que vivo em um planeta que não é opulento de ódio gratuito.
