Sobre a feminilidade

Feminilidade não é só estética, não está necessariamente ligada à maquiagem, ao salto alto.

Para compreender o significado desse termo é preciso que se entenda do que se trata a socialização feminina, que é o processo de repressão ao qual a mulher é submetida desde a infância, o que acaba por influenciar diretamente a sua subjetividade, sua visão acerca de si mesma e de seu papel para com os outros e, consequentemente, suas "escolhas" futuras. Podemos compreender feminilidade como o exercício dessa socialização, é consequência e está ligada à reprodução desses ideais impostos.
Sendo assim, acreditar que uma mulher "desconstruiu" isso por completo só pelo fato de a mesma rejeitar a imposição estética é o mesmo que ignorar a existência de uma estrutura da qual mulheres não podem simplesmente se livrar individualmente. 
A submissão ritualizada é, também, comportamental: quando nos sentamos sempre de pernas fechadas/cruzadas, quando nos esforçamos a manter uma postura delicada, uma imagem dócil, quando não nos permitimos movimentos bruscos, quando falamos baixo para não incomodar, quando nos deixamos interromper, quando nem chegamos a falar, enfim, quando nos submetemos, estamos sendo femininas.
Feminilidade é ocupar cada vez menos espaço, é agir o tempo todo com cuidado para manter essa performance, é se contentar em se sentir desejada sem desejar, é andar e sentar-se de bunda empinada, é se sacrificar pelos outros, cuidar, é ter filhos para parecer egoista, é esforço naturalizado.

A critica à feminilidade não é só sobre maquiagem, muito menos é sobre a SUA maquiagem. É sobre consciência da própria repressão.