A prática da Tenda do Conto com Mães acompanhantes de crianças Cardiopatas.

A Tenda do Conto realizada por Jacqueline Gadelha no Rio Grande do Norte ,tem como prática integrativa o cuidado em saúde, onde se narra histórias de vida a partir de objetos afetivos trazidos por usuários do Sistema Único de Saúde — SUS. Realizei essa prática com o objetivo de estabelecer vínculos por meio da escuta, entre profissional e usuário. As participantes receberam um convite em suas enfermarias á trazerem um objeto afetivo, em que elas contassem suas histórias de dor ou de superações vividas, foi confeccionada uma colcha de retalhos coloridos, simbolizando uma tenda, a mesa foi posta contendo os objetos trazidos por elas. A Tenda foi realizada no próprio hospital da cidade, com a presença de cinco mães. A experiência foi relacionada à vida dessas mulheres, onde trouxeram fragmentos de suas próprias histórias de vida e relatos de enfrentamentos diante o adoecimento do filho. A partir das narrativas contadas pelas Mães em seus relatos foram percebidos sentimentos de tristeza, a não aceitação do filho doente, o medo da morte, vínculos familiares frágeis, separação conjugal, e o ambiente hospitalar onde passa a ser uma nova rotina para a família. Diante essas tribulações, e os meses de espera para as operações, elas se referem à religiosidade e a fé, como meio de enfrentar a hospitalização. A experiência apresentada, ressalta a primordialidade do acompanhamento da equipe multiprofissional a essa mãe, oferecendo um atendimento humanizado. Compreende-se que a prática da Tenda do Conto é um excelente método de fortalecimento de vínculo entre usuários e a equipe de saúde, e possibilitou a identificar como elas se sentem nesse período de internação. Contei com a participação de duas profissionais, uma psicóloga e uma assistente social, no qual tiveram oportunidade de se comunicarem com as participantes de um modo diferente do que estão acostumadas no dia a dia em suas visitas diárias, assim as profissionais reconhecem essas mulheres como guerreiras, onde lutam por um único objetivo, a cura do filho. Para finalizarmos a Tenda, pedi para que cada mãe ficasse de pé e dessem as mãos e falassem o que sentirão durante essa experiência. Com o objeto em mãos e muito emocionadas elas expressaram que se sentirão bem em ouvir a história uma da outra e foi pedido uma salva de palmas para todas elas.
Diante do que foi exposto, considero que cada narrativa contribui para uma ressignificação desse processo, no qual o uso dessa técnica é de grande importância para fortalecer a atenção em saúde.


Lorena Taynan Vasconcelos Queiroz — Assistente Social — Belém/PA