Casa

Leia ouvindo:

As ondas de águas frias molham meus pés, enquanto faço o sinal da cruz. Peço licença a dona da calunga e, sem hesitar, corro em direção ao mar que me recebe de braços abertos. Furo a onda mergulhando de corpo e alma, sentindo cada célula do meu corpo ser tomada pelas águas salgadas de Yemanjá.

Estou em casa.

O mar sereno, a risada das crianças na bruma das águas, o gosto salgado na boca, tudo me dá a sensação de pertencimento. Mesmo com os perigos que os ventos intensos de Agosto anunciam, me sinto mais confortável dentro das águas do que fora delas. “Não há mais terra firme para mim”, penso, “preciso aprender com as ondas do mar…” E pouso meus pensamentos enquanto meu corpo boia entre marolas e risos infantis.

Saio da água de alma e mente lavada. Lá fora, os problemas disputam meu corpo com a areia que, mesmo com minha insistência, insiste em ficar colar mim. Respiro fundo, bato a areia dos pés mais uma vez e sigo em direção ao asfalto.

Sai de casa.

Faço o sinal da cruz como um aceno à minha mãe, como quem bate o portão de casa. Vejo ela me observando de longe, como quem já sente saudade antes mesmo de se despedir. A casa da mãe da gente é o melhor lugar do mundo, mesmo que seja dentro do mar…

Odoya, doce mãe. Eu não demoro.

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