Bring me your love, baby

Carla dizia que me amava naquela 9h de sábado à noite. Mas tudo me era estranho.

- poxa, Henrique, eu já não te falei que eu te amo?

- sim

- mas por que você ainda desconfia?

- é estranho

- por quê?

- ninguém nunca gostou de mim. Não consigo entender isso tudo.

- ah, vai me dispensar de novo?

- não! Não é isso! É que vivo só. Não sei compartilhar a vida com alguém. Isso não foi me ensinado… Permitido… Tenho medo de te machucar… É isso.

- mas o que você poderia me fazer de mal assim?

- não sei. Acho que não sei mais amar…

O silêncio então penetrou naquele instante e o nada assolava os nossos corações. E a vida tentava seguir o seu padrão normal. Mas…

- você escreve coisas tão lindas, Henrique! Como você consegue ser tão bruto?!

- é. Pois é…

- você só fala isso quando te pergunto coisas mais sérias! Você não é legal mesmo! Você é um sujeito chato e entediante! Vou voltar pro Arthur… Desculpa!

A porta se fechou. A vida voltou ao normal. Fui pra janela. “I live to die sometimes”, pensei. E a escuridão da noite estava sob todas as cabeças da humanidade novamente.

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